Açúcar opera em alta em Nova Iorque e Londres nesta terça-feira
Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (22), em um movimento de recuperação após as mínimas recentes. Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro do açúcar bruto em Nova Iorque era negociado a 17,58 cents por libra-peso, alta de 10 pontos. Já o contrato março/27 avançava 15 pontos, a 18,54 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco subia 200 pontos, para US$ 507,70 por tonelada. O vencimento março/27 avançava 180 pontos, negociado a US$ 516,60 por tonelada.
Demanda física segue no radar
Apesar da recuperação das cotações nesta sessão, a demanda continua sendo um dos principais pontos de atenção para o mercado.
Na semana passada, foram entregues 499.350 toneladas de açúcar referentes ao contrato de outubro em Londres, que expirou na terça-feira. O volume foi 91% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e ficou entre as maiores entregas já observadas para um contrato de outubro.
O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de demanda física mais fraca pelo açúcar.
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na sexta-feira, mostrou aumento de 791 posições líquidas compradas em açúcar de Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro. Com isso, as posições compradas chegaram a 161.342 contratos, o maior volume em quase três anos.
Uma concentração elevada de posições compradas pode aumentar a volatilidade e ampliar a pressão sobre as cotações caso os investidores decidam reduzir suas posições.
Déficit global sustenta fundamentos
Apesar das preocupações de curto prazo, as perspectivas para a oferta global continuam dando suporte aos preços.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na temporada 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Para a próxima safra, a entidade estima produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior. Já em 2025/26, a produção deve atingir um recorde de 182 milhões de toneladas, com superávit de 1,1 milhão de toneladas.
Outras instituições trabalham com déficits ainda maiores. A StoneX estima um déficit de 1,7 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics projeta saldo negativo de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas, diante da expectativa de redução no plantio de cana-de-açúcar e beterraba.
Tailândia e Índia seguem no radar
A produção da Tailândia também é acompanhada de perto pelo mercado. A Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção do país em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
Na Índia, as condições das monções continuam sendo um fator importante para as projeções de oferta. O Departamento Meteorológico informou que o acumulado de chuvas entre junho e setembro estava 15% abaixo da média até 21 de setembro.
Embora o quadro tenha melhorado em relação ao déficit de 42% registrado em 30 de junho, o órgão alertou para a possibilidade de a temporada de monções ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e, em agosto, autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro. A medida chama atenção porque o país normalmente atua como exportador.
Menor oferta brasileira favorece preços internos
No Brasil, a menor disponibilidade de açúcar no Centro-Sul também contribui para sustentar as cotações.
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Para a safra 2026/27, o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima produção brasileira de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3% em relação ao ciclo anterior.
No mercado interno, o açúcar cristal segue em alta em São Paulo, segundo o Cepea. De acordo com o Centro de Estudos, o movimento está relacionado à menor disponibilidade do produto no mercado spot paulista e em outros estados produtores do Centro-Sul.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que a produção de açúcar do Centro-Sul na segunda quinzena de agosto ficou abaixo da registrada no mesmo período de 2025, reforçando o cenário de oferta mais restrita.
As chuvas também têm interferido no ritmo de colheita da cana. Segundo pesquisadores do Cepea, o excesso de precipitações atrasou os trabalhos e pode levar algumas usinas a estenderem a moagem até fevereiro, embora muitas unidades planejem encerrar a safra entre dezembro e janeiro.
Com menor disponibilidade de cana e um mix ainda favorável ao etanol, a oferta de açúcar tende a permanecer mais limitada nos próximos meses, o que pode dar sustentação às cotações no mercado doméstico.
Clima adiciona incerteza ao cenário global
O clima permanece como outro fator de atenção para a oferta mundial. As perspectivas de um El Niño intenso aumentam as preocupações com o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, especialmente Brasil, Índia e Tailândia.
No balanço do USDA, a produção mundial de açúcar em 2026/27 é estimada em 184,854 milhões de toneladas, enquanto o consumo humano deve alcançar 179,991 milhões de toneladas. Os estoques finais globais são projetados em 44,410 milhões de toneladas.