Açúcar opera em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres
Os preços do açúcar operam em direções opostas nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (23). Em Nova Iorque, as cotações avançam, enquanto Londres registra queda, em um mercado que segue acompanhando as condições da safra brasileira e os sinais de demanda física pela commodity.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o contrato outubro do açúcar bruto em Nova Iorque era negociado a 17,75 cents por libra-peso, alta de 16 pontos.
Em Londres, o contrato dezembro do açúcar branco recuava 100 pontos, para US$ 506,90 por tonelada.
Na sessão anterior, o açúcar fechou em alta nas duas bolsas, após recuperar as perdas registradas no início do pregão. Em Nova Iorque, o mercado chegou a atingir a menor cotação em quatro semanas, enquanto Londres recuou ao menor nível em cerca de um mês e meio, antes da recuperação.
Chuvas no Brasil seguem no radar
Entre os principais fatores acompanhados pelo mercado nesta semana estão as condições climáticas no Brasil. As chuvas no Centro-Sul podem atrasar a colheita da cana-de-açúcar e limitar a disponibilidade de açúcar no curto prazo.
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
No mercado interno, o Cepea também aponta alta dos preços do açúcar cristal em São Paulo, em um cenário de menor disponibilidade do produto no mercado spot paulista e em outros estados produtores do Centro-Sul.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos, as chuvas têm atrasado a colheita e podem levar algumas usinas a estender a moagem até fevereiro. Ainda assim, parte das unidades trabalha com a possibilidade de encerrar as atividades entre dezembro e janeiro.
Demanda continua como ponto de atenção
Apesar da recuperação observada nos últimos pregões, as preocupações com a demanda continuam limitando o desempenho do açúcar.
Na semana passada, foram entregues 499.350 toneladas referentes ao contrato de outubro em Londres, que expirou na terça-feira. O volume foi 91% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e esteve entre as maiores entregas já registradas para um contrato de outubro.
O movimento foi interpretado como um sinal de demanda física mais fraca pela commodity.
O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos aumentaram em 791 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar de Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro.
Com isso, as posições compradas chegaram a 161.342 contratos, o maior volume em quase três anos. Uma eventual redução dessas posições pode ampliar a pressão sobre as cotações.
Déficit global dá suporte aos preços
No lado dos fundamentos, as perspectivas de oferta mais restrita para as próximas safras continuam dando sustentação ao mercado.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a temporada 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Para 2026/27, a entidade prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.
Outras estimativas apontam para déficits ainda maiores. A StoneX projeta saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit global de 2,9 milhões de toneladas.
Tailândia e Índia
A produção da Tailândia também é acompanhada de perto. A Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção do país em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
Na Índia, as condições das monções continuam sendo um fator de atenção. O Departamento Meteorológico informou que as chuvas acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 21 de setembro.
Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado em 30 de junho, o órgão alertou para a possibilidade de a temporada de monções ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.
A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
Clima mantém incertezas para a oferta
As condições climáticas continuam entre os principais fatores de risco para a produção global. As perspectivas relacionadas ao El Niño levantam preocupações sobre o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, incluindo Brasil, Índia e Tailândia.
No balanço do USDA, a produção mundial de açúcar em 2026/27 é estimada em 184,854 milhões de toneladas, enquanto o consumo humano deve alcançar 179,991 milhões de toneladas. Os estoques finais globais são projetados em 44,410 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o FAS/USDA prevê produção de 42,5 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 3% em relação ao ciclo anterior. Na Índia, a estimativa é de 33,6 milhões de toneladas, alta de 12%, enquanto a produção da Tailândia deve recuar 15,6%, para 9,5 milhões de toneladas.