Açúcar recupera terreno em Nova Iorque e Londres com oferta no radar
O açúcar opera em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira (1º), recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O mercado acompanha as perspectivas de oferta global mais restrita para 2026/27, enquanto os sinais de demanda física mais fraca continuam limitando o avanço das cotações.
Por volta das 12h20 (horário de Brasília), o contrato março de 2027 em Nova Iorque era negociado a 18,75 centavos de dólar por libra-peso, alta de 14 pontos.
Em Londres, o contrato março de 2027 acompanhava o movimento e era negociado a US$ 518,40 por tonelada, avanço de 100 pontos.
Mercado busca recuperação após pressão
Na sessão anterior, o açúcar fechou em baixa nas duas bolsas, pressionado principalmente pelas preocupações com a demanda física. O vencimento do contrato outubro em Nova Iorque também chamou atenção para a possibilidade de uma entrega elevada.
Segundo a McDougall Global Views, o volume de contratos em aberto do açúcar outubro em Nova Iorque, que expirou na quarta-feira (30), indicava uma possível entrega próxima de 1,8 milhão de toneladas.
O volume estaria acima da média dos últimos seis anos e reforçou a percepção de demanda física mais fraca. O sinal ganhou força após o vencimento do contrato outubro em Londres, que registrou entrega de 499.350 toneladas, 91% acima do observado um ano antes.
Déficit global mantém suporte
Apesar das preocupações com a demanda, as perspectivas para a oferta continuam dando sustentação aos preços.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26. A entidade também prevê queda de 1% na produção mundial, para 180,1 milhões de toneladas.
A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas na próxima temporada, enquanto a Czarnikow projeta um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers prevê queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país está entre os principais exportadores mundiais da commodity.
Índia e Brasil seguem no radar
Na Índia, o acumulado das chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos. O quadro mantém a atenção sobre o potencial produtivo do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Ao mesmo tempo, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro. A medida pode ampliar a disponibilidade no mercado interno e reduzir a necessidade de oferta doméstica.
No Brasil, a menor produção do Centro-Sul continua sendo um fator de suporte para as cotações. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontaram queda de 26,3% na produção de açúcar da região em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, e o ritmo da safra brasileira tem impacto direto sobre o balanço internacional.
StoneX reduz déficit
Por outro lado, a revisão da StoneX continua limitando uma recuperação mais forte dos preços. A consultoria reduziu sua estimativa de déficit global para 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas.
A mudança diminuiu a percepção de aperto no balanço mundial e mantém o mercado dividido entre os riscos de menor oferta e os sinais de demanda física mais fraca.
Assim, nesta quinta-feira, os contratos mais longos avançam nas duas bolsas, enquanto os participantes acompanham a evolução da demanda e os impactos das condições climáticas sobre a produção mundial.