Açúcar perde força nas bolsas após máximas recentes e recua em Nova Iorque e Londres
Os preços do açúcar operam em baixa nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (14), após a valorização da sessão anterior. Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o contrato de açúcar bruto para março de 2027, em Nova Iorque, recuava 13 pontos, a 21,98 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para março era negociado a US$ 571,90 por tonelada, com queda de 100 pontos.
Apesar do recuo, o mercado continua atento aos fatores que sustentaram as cotações nas últimas semanas, como as preocupações com a oferta global, as compras de fundos de investimento e os possíveis impactos do El Niño sobre as principais regiões produtoras.
Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 19 meses, enquanto o contrato em Londres alcançou o nível mais alto em 22 meses. Na ocasião, as chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil atrasaram a colheita da cana-de-açúcar e interromperam a moagem nas usinas, limitando a oferta no curto prazo.
Fundos ampliam posições compradas
A movimentação dos fundos de investimento segue no radar dos participantes do mercado. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, divulgado na última sexta-feira, os fundos aumentaram em 60.442 contratos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 6 de outubro.
Com isso, a posição comprada líquida chegou a 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos. O dado mostra uma exposição elevada dos investidores à valorização da commodity, embora não impeça movimentos de realização de lucros e correções nas cotações.
Déficit global sustenta preocupação com a oferta
As perspectivas para o balanço mundial de açúcar continuam sendo um fator de suporte aos preços. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial, a Thai Sugar Millers Corp. prevê que a produção poderá cair 17% na temporada 2026/27, para 10 milhões de toneladas. Uma redução desse porte pode limitar a disponibilidade do produto no mercado internacional.
El Niño aumenta incertezas para a produção
As condições climáticas também estão entre os fatores acompanhados pelos investidores. A Agência Meteorológica do Japão informou que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima da média em setembro, o maior nível registrado desde 1949.
A agência prevê 100% de probabilidade de que o El Niño persista durante o inverno do Hemisfério Norte e continue atuando até o primeiro trimestre de 2027. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em regiões produtoras importantes, como Brasil, Índia e Tailândia.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alertou para a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos em mais de 75 anos. A ocorrência de secas, chuvas excessivas e oscilações de temperatura pode afetar o desenvolvimento das lavouras e aumentar a incerteza sobre a oferta mundial.
Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país. Foi o menor índice em 11 anos, um fator de atenção para o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
A medida reforça a preocupação com a disponibilidade interna em um país que tradicionalmente ocupa posição de destaque nas exportações globais.