Açúcar despenca nas bolsas internacionais nesta 4ª feira (14) com disparada do dólar
Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira (14) em forte queda nas bolsas internacionais, após perderem os ganhos registrados no início do pregão. A pressão veio da valorização do dólar, que atingiu o maior nível em um ano e meio e estimulou investidores a liquidar posições compradas nos contratos futuros da commodity.
Em Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 recuou 27 pontos, vendido a 20,88 cents de libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 700 pontos, a US$ 554,90.
O movimento ocorre após uma sequência de altas que levou as cotações a patamares elevados nas últimas semanas. Na semana passada, o açúcar bruto em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 19 meses, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou o maior nível em 22 meses, impulsionados pelas preocupações com a oferta diante das chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil.
A valorização da moeda americana reduz a atratividade das commodities negociadas em dólar para compradores que utilizam outras moedas e pode pressionar os preços internacionais. Nesse cenário, a alta do índice do dólar favoreceu a realização de lucros e a redução de posições compradas em açúcar.
O posicionamento dos fundos também pode ampliar as oscilações. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, divulgado na última sexta-feira, os investidores aumentaram em 60.442 contratos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 6 de outubro.
Com isso, a posição comprada líquida chegou a 212.559 contratos, o maior volume em mais de três anos.
Embora esse movimento tenha ajudado a sustentar os preços durante a sequência de altas, uma concentração elevada de apostas na valorização pode intensificar as vendas quando o mercado muda de direção.
Oferta global segue no radar
Apesar da queda desta quarta-feira, as preocupações com a disponibilidade mundial de açúcar continuam presentes. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A entidade prevê que a produção mundial recue 1% na próxima temporada, para 180,1 milhões de toneladas, em parte devido aos possíveis impactos do El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia.
Outras consultorias também apontam riscos para o balanço global. Em agosto, a StoneX elevou sua estimativa de déficit mundial para 1,7 milhão de toneladas em 2026/27, ante 550 mil toneladas na projeção anterior. Já a Covrig Analytics passou a estimar déficit de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial, a Thai Sugar Millers Corp. prevê queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
El Niño aumenta incertezas climáticas
As perspectivas para a produção também dependem da evolução do El Niño. A Agência Meteorológica do Japão informou que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima da média em setembro, o maior nível registrado desde 1949. A instituição prevê que o fenômeno persista até o primeiro trimestre de 2027.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alertou para a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos em mais de 75 anos. As alterações nos padrões de chuva e temperatura podem afetar importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando a incerteza sobre a oferta nos próximos meses.
Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país. Foi o menor índice em 11 anos. Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro, em uma medida voltada ao abastecimento interno.
No Brasil, maior produtor mundial, as chuvas persistentes no Centro-Sul atrasaram a colheita da cana-de-açúcar e interromperam a moagem em usinas, restringindo a oferta no curto prazo. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também informou que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.