Açúcar despenca quase 6% nesta segunda-feira nas bolsas internacionais com queda do petróleo
Os preços do açúcar operam em queda nesta segunda-feira (26) nas principais bolsas internacionais, pressionados pela expectativa de aumento da oferta, pela mudança na política indiana para o etanol e pela desvalorização do petróleo. O mercado também acompanha a realização de lucros após a valorização registrada nas últimas semanas.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março recuava 11 pontos, negociado a 19,14 centavos de dólar por libra-peso. Para maio, a queda era de 19 pontos, com a cotação a 18,55 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o contrato de açúcar branco para março registrava baixa de 213 pontos, a US$ 528,90 por tonelada. Já o contrato de maio caía 210 pontos, negociado a US$ 537,50 por tonelada.
Retomada da colheita no Brasil aumenta expectativa de oferta
A melhora das condições climáticas no Centro-Sul do Brasil favorece a retomada da colheita da cana-de-açúcar e da moagem nas usinas, depois que as chuvas recentes prejudicaram o andamento dos trabalhos. Com a recuperação das atividades, o mercado passa a considerar uma maior disponibilidade de açúcar no curto prazo, fator que contribui para pressionar os preços.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial do adoçante, por isso o ritmo da safra no Centro-Sul tem influência direta sobre as expectativas de oferta internacional.
Mudança na política indiana pode ampliar produção de açúcar
Outro fator de pressão é a decisão do governo da Índia de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A mudança pode levar as usinas a destinar uma parcela maior da matéria-prima à fabricação de açúcar, aumentando a oferta potencial.
A Índia também prorrogou até 31 de dezembro o prazo para a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos. A medida pode estimular compras no mercado internacional, mas o impacto sobre os preços dependerá do volume efetivamente importado e dos efeitos da nova política sobre a produção doméstica.
Petróleo recua após alta recente
O petróleo também opera em baixa nesta segunda-feira, depois de uma forte valorização na semana passada, quando o Brent chegou a fechar a US$ 116,72 por barril. A correção ocorre enquanto investidores seguem atentos às tensões no Oriente Médio.
A cotação do petróleo influencia as decisões das usinas sobre a destinação da cana entre açúcar e etanol. Preços mais baixos do combustível podem reduzir a atratividade relativa do etanol e favorecer a produção de açúcar, embora essa relação também dependa dos preços e das margens de cada produto.
Com a combinação desses fatores, as cotações do açúcar permanecem pressionadas no início da semana. Como o pregão ainda está em andamento, os preços e as variações podem mudar ao longo do dia.