Açúcar recua nas bolsas internacionais com pressão de superoferta

Publicado em 04/02/2026 09:21 e atualizado em 04/02/2026 10:23
Etanol em São Paulo estabiliza acima de R$ 3,08 após meses de alta

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O mercado do açúcar opera em queda nesta quarta-feira (4), pressionado por uma combinação de fatores fundamentais que apontam para um cenário de superoferta global. Em Nova Iorque, o contrato com vencimento em março de 2026 recua 0,34%, negociado a 14,58 cents de dólar por libra-peso, dando continuidade ao movimento negativo que levou as cotações às mínimas de dois meses e meio no início da semana. Em Londres, a desvalorização é ainda mais expressiva, com o contrato equivalente atingindo o menor valor em cinco anos, cotado a US$ 414,90 por tonelada.

O pessimismo é alimentado por projeções de excedente global robusto. Consultorias como Green Pool, StoneX e Covrig Analytics estimam sobras que variam entre 2,74 milhões e 4,7 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O principal motor desse excesso é a Índia: a produção do país asiático saltou 22% entre outubro e meados de janeiro, totalizando 15,9 milhões de toneladas. Com a estimativa de safra elevada para 31 milhões de toneladas e uma redução no desvio de cana para etanol, a Índia sinaliza um potencial exportável agressivo, competindo diretamente com o produto brasileiro.

No Brasil, os dados também reforçam a oferta. A produção acumulada no Centro-Sul cresceu 0,9% até dezembro, com um mix produtivo voltado majoritariamente para o açúcar (50,82%). Olhando para o futuro, Guilherme Nastari, da Datagro, projetou na Conferência de Dubai que a safra 2026/27 terá uma moagem maior, de 628 milhões de toneladas. No entanto, espera-se uma mudança estratégica no mix, com a destinação para açúcar caindo para 49%, indicando uma retomada do foco no etanol.

Paralelamente, o mercado de etanol em São Paulo mostra sinais de estabilidade após meses de alta. Segundo o Cepea, o Indicador do hidratado fechou a semana praticamente estável em R$ 3,0885 o litro. O cenário reflete uma entressafra com oferta restrita, onde poucas usinas participam do mercado spot, contraposta por uma demanda momentaneamente calma das distribuidoras, que ainda operam com estoques adquiridos no fim de 2025. A expectativa, contudo, é de novo aquecimento nas vendas com a volta às aulas e a aproximação do Carnaval.

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Por:
Ericson Cunha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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