Datagro vê queda de 5% na produção de açúcar do centro-sul em 26/27 e alta de 10,4% para etanol

Publicado em 26/10/2026 12:12 e atualizado em 26/10/2026 13:57

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) - A produção de açúcar do centro-sul do Brasil 2026/27 (abril/março) deverá atingir 38,42 milhões de toneladas, uma queda de 5% no comparativo com o ciclo anterior, por conta de impactos do El Niño e de uma redução na alocação de cana-de-açúcar para a fabricação do adoçante, estimou nesta segunda-feira a consultoria Datagro.

De outro lado, a fabricação total de etanol (de cana e milho) foi estimada em 37,2 bilhões de litros, avanço de 10,4%, com a expansão do setor de etanol de milho e também maior "mix" de cana para o biocombustível.

As projeções de açúcar e etanol indicam volumes menores em relação à perspectiva divulgada em maio pela Datagro, quando as chuvas associadas ao El Niño ainda não haviam afetado os trabalhos de moagem. Naquele mês, a Datagro projetava 40,98 milhões de toneladas de açúcar, enquanto a de etanol era vista em 38,61 bilhões de litros.

A estimativa de safra de cana do centro-sul, por outro lado, indica um crescimento de 4,8% no comparativo com o ciclo passado, para 640,5 milhões de toneladas, mas uma leve queda na comparação com a projeção de maio (642,2 milhões de toneladas).

Durante a apresentação em evento da consultoria, o presidente da Datagro, Plinio Nastari, citou que as chuvas atrapalharam a colheita e a moagem no centro-sul, principal região produtora de açúcar do mundo. Ele estimou 28,6 dias perdidos pelas precipitações, versus média histórica de 13,6 dias.

Essa perda é equivalente a cerca de 50 milhões de toneladas de cana que não foi processada, disse o consultor.

"Muitas usinas projetam levar a moagem de cana até a segunda quinzena de dezembro", disse Nastari, observando que os trabalhos deverão ser alongados, numa tentativa de minimizar a perda pelas chuvas.

Contudo, a Datagro ainda estima 34 milhões de toneladas de cana bisada em 31 de março de 2027, volume que deverá ser processado no ano que vem. O especialista disse que ainda é cedo para estimar o tamanho da safra 2027/28 no maior produtor global de açúcar, lembrando que é preciso acompanhar o clima e os preços das commodities.

Até 1º de outubro, a moagem no centro-sul havia somado 482,3 milhões de toneladas, queda de 1,6% no comparativo anual, segundo dados compilados pelo Ministério da Agricultura citados pelo especialista.

Segundo ele, o aumento do consumo de etanol no Brasil e o impacto do El Niño levaram a um aumento dos preços, ainda que as subvenções à gasolina e o controle de preços pela Petrobras impeçam um avanço ainda maior da demanda do biocombustível, em momento em que os preços do petróleo dispararam devido à guerra no Irã.

O "mix" de produção de cana para açúcar em 2026/27 deve cair para 46,7%, ante 50,4% no ciclo passado.

Já a produção de etanol de milho em 2026/27 deverá crescer 10,4% no comparativo anual, para 10,15 bilhões de litros, um crescimento abaixo do previsto inicialmente, disse Nastari.

ESTOQUES GLOBAIS

O mercado global de açúcar no ano mundial 2026/27 (outubro/setembro) deverá ser deficitário em 3,92 milhões de toneladas (açúcar bruto equivalente), estimou a Datagro, ante um superávit de 730 mil toneladas no ciclo passado.

Essa redução acontece em meio a uma queda de cerca de 4 milhões de toneladas na produção de açúcar branco da União Europeia, para 12,7 milhões de toneladas, em 2026/27, devido à queda na área plantada.

"A União Europeia deve se voltar para maiores importações em 2026/27, com o volume podendo chegar a 3 milhões de toneladas", disse Nastari.

Ele vê uma estagnação no consumo global, o que tem impactado embarques do Brasil, que estão enfraquecidos.

Essa situação acontece diante do aumento da produção da China para patamares acima de 13 milhões de toneladas em 2025/26 e em 2026/27, versus 11 milhões em 2024/25.

"As importações (da China) em 2026/27 devem cair para 2,7 milhões de toneladas, metade do volume de 21/22", afirmou.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima e Marta Nogueira)

Fonte: Reuters

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