Açúcar despenca mais de 5% em Nova Iorque com real em queda e pressão da oferta brasileira

Publicado em 26/10/2026 16:04
Desvalorização da moeda brasileira favorece a competitividade do açúcar nacional no mercado externo e amplia a pressão sobre os preços;

Os preços do açúcar despencaram nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (26), com o contrato de março em Nova Iorque registrando queda de 5,63%. O movimento foi impulsionado pela forte desvalorização do real brasileiro após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana, além das expectativas de maior oferta do adoçante no mercado internacional.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 114 pontos, encerrando a sessão a 19,10 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 5,63%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 194 pontos, para US$ 515,40 por tonelada.

Real desvalorizado aumenta competitividade das exportações

A queda do real brasileiro foi apontada como um dos principais fatores de pressão sobre os preços. Com a moeda nacional mais fraca em relação ao dólar, os exportadores brasileiros podem receber mais em reais pelas vendas internacionais, o que tende a estimular a comercialização do açúcar no mercado externo e ampliar a oferta disponível.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e responde por cerca de 24% da produção global e mais da metade das exportações, segundo estimativas citadas da Organização Internacional do Açúcar (ISO) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Por isso, mudanças no câmbio brasileiro têm impacto relevante sobre a formação dos preços internacionais.

Produção brasileira e clima seguem no radar

Apesar da forte queda desta segunda-feira, os dados de produção no Brasil ainda oferecem algum suporte ao mercado. Na sexta-feira passada, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a produção de açúcar no Centro-Sul recuou 5,6% em agosto, na comparação anual, para 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas registradas no período prejudicaram a colheita e a moagem da cana.

As perspectivas climáticas também preocupam os agentes do setor. O Super El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico pode alterar o regime de chuvas no Brasil, na Índia e na Tailândia, três importantes regiões produtoras. A consultoria Datagro estimou nesta segunda-feira que a produção de açúcar do Centro-Sul brasileiro poderá cair 5% em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, devido a fatores relacionados ao fenômeno climático.

Índia inicia safra com produção menor

Na Índia, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que a safra 2026/27 começou conforme o previsto, com cerca de 107 usinas iniciando a moagem. Até 25 de outubro, a produção somava 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior.

Apesar do início mais lento, a entidade avalia que o país dispõe de estoques suficientes para atender à demanda. O volume remanescente da safra 2025/26 é estimado em 3,6 milhões de toneladas. A Índia também registrou chuvas de monção 12,6% abaixo da média entre junho e setembro, o menor índice em 11 anos.

O país autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos e prorrogou o prazo para essas compras até 31 de dezembro. A medida pode aumentar a demanda internacional, embora o impacto dependa do volume efetivamente importado.
 

Fonte: Notícias Agrícolas

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