Açúcar fecha em queda e acumula perda de 4% na semana em Nova Iorque

Publicado em 30/10/2026 16:14 e atualizado em 30/10/2026 17:02
Perspectiva de maior oferta para exportação pressiona as cotações, apesar dos riscos climáticos para a produção no Centro-Sul.

Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (30), devolvendo parte da recuperação registrada no meio da semana. Em Nova Iorque, as cotações acumularam perda de aproximadamente 4% na semana, pressionadas principalmente pela desvalorização do real e pelas preocupações com o aumento da oferta brasileira no mercado internacional.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março recuou 11 pontos, queda de 0,56%, encerrando o pregão a 19,36 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu 104 pontos, com baixa de 1,97%, para US$ 517,20 por tonelada.

O mercado voltou a reagir aos dados de produção divulgados pelo Ministério da Agricultura na quarta-feira. Segundo o levantamento, as usinas brasileiras moeram 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na primeira quinzena de outubro, volume 18% inferior às 39 milhões de toneladas processadas no mesmo período do ano passado. A produção de açúcar caiu 23% na comparação anual, para 2,15 milhões de toneladas.

Embora a redução da moagem indique uma oferta menor no curto prazo, o câmbio segue como fator de pressão. O real brasileiro acumula desvalorização de cerca de 8% na semana, após cair quase 9% na segunda-feira (26), na esteira do resultado das eleições presidenciais no fim de semana.

Uma moeda brasileira mais fraca favorece a competitividade das exportações, pois permite que os vendedores recebam mais reais por cada dólar obtido com as vendas externas. Esse cenário pode estimular os embarques de açúcar do Brasil, maior produtor mundial, responsável por aproximadamente 24% da produção global e mais de 50% das exportações, segundo estimativas da OIC e do USDA.

Chuvas e El Niño limitam perdas

As condições climáticas continuam oferecendo algum suporte às cotações. As chuvas persistentes no Centro-Sul, associadas ao El Niño, têm dificultado a colheita e atrasado a moagem da cana. Na quinta-feira, a StoneX informou que as previsões de precipitação para os próximos sete dias nas regiões produtoras brasileiras indicavam a continuidade das dificuldades para as operações das usinas.

A perspectiva de menor oferta também aparece nas estimativas globais. A Covrig Analytics elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar para 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas. Para 2025/26, a consultoria reduziu a estimativa de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações indianas.

Na Índia, a safra 2026/27 começou dentro do calendário previsto, com cerca de 107 usinas em operação. Até 25 de outubro, a produção somava 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA). O país, porém, mantém estoques remanescentes de 3,6 milhões de toneladas da safra passada, considerados suficientes para garantir o abastecimento.

O desenvolvimento de um possível Super El Niño também mantém os investidores atentos aos riscos para a produção nas principais regiões açucareiras do mundo. No Centro-Sul do Brasil, a Datagro estima uma queda de 5% na produção de açúcar em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, diante dos impactos climáticos associados ao fenômeno.


 

Fonte: Notícias Agrícolas

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