Açúcar sobe nas bolsas com quebra na moagem e chuvas no Brasil

Produção brasileira recuou na primeira quinzena de outubro, enquanto previsão de novas precipitações deve continuar limitando o avanço da moagem no Centro-Sul
Publicado em 29/10/2026 15:58 | Atualizado em 29/10/2026 17:11

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Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (29), sustentados pelos dados de redução da moagem de cana-de-açúcar e da produção brasileira na primeira quinzena de outubro. As chuvas persistentes no Centro-Sul têm dificultado a colheita e atrasado as operações nas usinas, aumentando a preocupação com a oferta do principal exportador mundial.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março avançou 13 pontos, encerrando o pregão a 19,47 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 190 pontos, para US$ 527,60 por tonelada.
Dados divulgados na noite de quarta-feira pelo Ministério da Agricultura mostram que as usinas brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de outubro, queda de 18% em relação às 39 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado. A produção de açúcar recuou 23% na comparação anual, para 2,15 milhões de toneladas.

As condições climáticas seguem no radar dos agentes do mercado. As chuvas associadas ao El Niño interrompem os trabalhos de campo e reduzem o ritmo de moagem. Segundo a StoneX, as previsões para os próximos sete dias indicam a continuidade das precipitações nas regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil, o que pode manter as operações nas usinas prejudicadas.

Recuperação parcial após queda na semana

Apesar da alta desta quinta-feira, as cotações em Nova Iorque ainda acumulam perdas expressivas na semana. Na segunda-feira (26), o açúcar sofreu uma queda acentuada em meio à desvalorização do real brasileiro, que chegou a recuar cerca de 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana.

A moeda apresentou recuperação parcial desde então, mas permanece pressionada. A desvalorização do real tende a favorecer as exportações brasileiras, já que os vendedores conseguem obter mais reais por cada dólar recebido nas vendas externas. Esse fator pode estimular a oferta do país no mercado internacional e limitar os ganhos do açúcar.

O Brasil responde por cerca de 24% da produção mundial e mais da metade das exportações globais, segundo estimativas da Organização Internacional do Açúcar (OIC) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Déficit global e riscos climáticos dão suporte

As cotações também encontram sustentação nas perspectivas de um balanço global mais apertado. A Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 para 490 mil toneladas, ante 300 mil toneladas projetadas anteriormente. Para 2025/26, a consultoria reduziu a estimativa de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações indianas.

Na Índia, a safra 2026/27 começou dentro do calendário previsto, com cerca de 107 usinas em operação. Até 25 de outubro, a produção somava 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA). O país, no entanto, mantém estoques remanescentes de 3,6 milhões de toneladas da safra passada, o que indica uma posição confortável de abastecimento.

O desenvolvimento de um possível Super El Niño também mantém o mercado atento aos riscos de alterações no regime de chuvas no Brasil, na Índia e na Tailândia, importantes regiões produtoras. Para o Centro-Sul brasileiro, a Datagro projeta queda de 5% na produção de açúcar em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, considerando os efeitos climáticos associados ao fenômeno.

Com a redução da produção brasileira dando suporte às cotações, os investidores seguem acompanhando a evolução das chuvas, o ritmo de moagem nas usinas e o comportamento do câmbio para avaliar as perspectivas de oferta e a direção dos preços internacionais.


 

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