Açúcar fecha em queda em Nova Iorque e renova mínima de cinco semanas

Publicado em 06/11/2026 16:37
Perspectivas de maior oferta na Índia e expectativa de aumento das exportações brasileiras pressionaram as cotações; em Londres, contrato de dezembro encerrou em alta

O açúcar encerrou a sessão desta sexta-feira (6) em direções opostas nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos ampliaram as perdas e atingiram o menor patamar em cinco semanas, enquanto em Londres a cobertura de posições vendidas antes do fim de semana garantiu um fechamento positivo.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em março na bolsa de Nova Iorque recuou 32 pontos, queda de 1,72%, e terminou o dia cotado a 18,24 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou 230 pontos, alta de 0,46%, a US$ 502,20 por tonelada.

Apesar da recuperação em Londres, os preços do açúcar mantiveram a trajetória de baixa das últimas três semanas. A perspectiva de uma oferta global mais ampla, especialmente com o avanço da produção indiana, continua pressionando o mercado.

A Federação Nacional de Cooperativas de Usinas de Açúcar da Índia informou que a produção do país alcançou 845 mil toneladas até o fim de outubro, mais de oito vezes o volume registrado no mesmo período do ano passado.

A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) também informou que a safra 2026/27 começou dentro do previsto, com aproximadamente 107 usinas já em operação. Além disso, o país conta com um estoque remanescente de 3,6 milhões de toneladas da temporada anterior, considerado suficiente para garantir uma posição confortável de abastecimento.

O cenário climático, por outro lado, segue no radar. As chuvas durante a temporada de monções, entre junho e setembro, ficaram 12,6% abaixo da média na Índia, o menor volume em 11 anos.

Câmbio e moagem no Brasil

As cotações também enfrentam pressão diante da expectativa de maior oferta brasileira no mercado internacional. A desvalorização do real, que atingiu na segunda-feira o menor nível em 10,5 meses frente ao dólar, aumenta a competitividade das exportações e pode estimular as vendas de açúcar pelas usinas.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil responde por cerca de 23% da produção mundial e mais de 50% das exportações globais do adoçante.

Em contrapartida, as chuvas persistentes associadas ao El Niño no Centro-Sul brasileiro têm dificultado a colheita e a moagem da cana-de-açúcar, limitando a oferta no curto prazo. Na semana passada, a StoneX indicou que a previsão de precipitações para os sete dias seguintes no cinturão canavieiro poderia manter as operações das usinas prejudicadas.

Na primeira quinzena de outubro, as unidades brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana, queda de 18% em relação às 39 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano anterior. A produção de açúcar recuou 23%, para 2,15 milhões de toneladas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.
 

Fonte: Notícias Agrícolas

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