Rio Grande do Sul pode ter trégua nas chuvas até sábado, mas agosto seguirá com novas frentes frias
O Rio Grande do Sul segue enfrentando os impactos das chuvas intensas nesta quarta-feira (22), com rios transbordando, áreas alagadas e reflexos também no campo, onde produtores convivem com solo encharcado, atraso nas operações e preocupação com perdas nas lavouras.
Apesar da previsão de redução da chuva nos próximos dias, meteorologistas alertam que a trégua será curta e que novas frentes frias devem manter o estado sob condições de instabilidade nas próximas semanas.
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Os maiores acumulados registrados até a tarde de terça-feira (21) reforçam a intensidade do episódio. Porto Lucena somou 172 mm, seguida por Paraí (165 mm), André da Rocha (153 mm), Marau (151 mm) e Vanini (150 mm). Em Santa Cruz do Sul, o Rio Pardinho atingiu a cota de inundação, enquanto rios como o Caí e o Taquari também transbordaram em diferentes trechos.
Apesar do cenário crítico, a previsão indica uma melhora temporária das condições meteorológicas.
De acordo com Alexandre Nascimento, meteorologista e CEO da Nottus, a frente fria responsável pelos temporais avança para outras regiões do país e permitirá um período de redução das chuvas no Sul.
"Amanhã a chuva já diminui completamente nos estados do Sul. É uma ótima notícia. Até sábado tem esse alívio", afirmou.
Segundo ele, o sistema que estava bloqueado sobre a região finalmente conseguiu avançar. "A chuva está no norte do Rio Grande do Sul, em todo o estado de Santa Catarina e boa parte do Paraná. Esse sistema agora sobe em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste."
Trégua será curta
A melhora, entretanto, não significa o fim do período chuvoso.
Nascimento explica que uma nova frente fria volta a atuar já no domingo, inaugurando um padrão que deve se repetir durante praticamente todo o mês de agosto.
"No domingo a chuva volta com força para o Sul do Brasil. A diferença é que ela não fica travada durante vários dias como aconteceu agora. Ela se desloca e perde intensidade. Esse comportamento vai se repetindo ao longo de todo o mês de agosto."
Segundo o meteorologista, novas frentes frias devem alcançar a região entre os dias 5 e 11 de agosto e, posteriormente, em outras semanas, mantendo o Rio Grande do Sul sob influência frequente de sistemas chuvosos até o início de setembro.
Produtor deve redobrar atenção
Mesmo sem um cenário extremo como o registrado em 2024, os volumes previstos continuam sendo suficientes para causar prejuízos às atividades agropecuárias.
Nascimento alerta que acumulados superiores a 100 milímetros em apenas 24 horas já representam risco elevado para diferentes culturas.
"Não precisa acontecer o que aconteceu em 2024 para a agricultura ter problemas. Uma chuva de 100 milímetros em 24 horas já é suficiente para provocar alagamentos, levar sementes recém-plantadas, lavar defensivos aplicados e causar perdas em lavouras que já estão em desenvolvimento ou próximas da colheita."
Além dos impactos diretos sobre as culturas, o excesso de água compromete o trânsito de máquinas, dificulta o manejo das propriedades e aumenta o período de solo encharcado, atrasando operações agrícolas.
No Rio Grande do Sul, o especialista destaca ainda a preocupação com áreas produtoras de arroz, onde o excesso de precipitação dificulta o controle dos níveis de água nas lavouras irrigadas.
"Quando você tem esse tipo de chuva, perde completamente o controle da água nas áreas de arroz. É uma condição bastante prejudicial para o produtor."
El Niño já influencia o padrão de chuva
Segundo a Nottus, o comportamento observado nas últimas semanas já é compatível com os primeiros efeitos do El Niño, cuja intensidade deve aumentar ao longo do segundo semestre.
No entanto, Alexandre Nascimento faz um alerta para evitar comparações diretas com a tragédia vivida pelo Rio Grande do Sul em 2024.
"Muita atenção ao que se lê por aí. Dá a impressão de que vai acontecer tudo de novo, mas, pelo menos por enquanto, não há expectativa de nada comparável a 2024."
Ele explica que os volumes registrados agora já superam a média histórica em algumas localidades, mas permanecem muito abaixo dos cerca de 600 a 700 milímetros registrados em apenas uma semana durante o evento extremo do passado.
"É muita água. Tivemos locais com cerca de 200 milímetros na última semana, mas isso ainda não se compara ao que ocorreu em 2024. Mesmo assim, já é suficiente para provocar transtornos importantes."