Chuvas voltam a interromper colheitas no Sudeste e acendem alerta para café, cana e hortaliças
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A volta das chuvas ao Sudeste segue preocupando produtores rurais, especialmente aqueles que estão em plena colheita de café e cana-de-açúcar. Segundo o meteorologista e sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, o problema não está relacionado ao risco de geadas, mas sim à frequência das frentes frias que vêm alcançando a região.
"Seria muito interessante que a gente tivesse um tempo mais firme agora para a colheita. Mas praticamente todas as frentes frias que estão chegando ao Sul conseguem avançar pelo Sudeste, trazendo novos episódios de chuva", explica.
Nas últimas semanas, diversas áreas produtoras registraram volumes expressivos. Em alguns pontos da Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, os acumulados ultrapassaram 100 milímetros em menos de 24 horas, volume superior ao dobro da média histórica de chuva para todo o mês de junho.
De acordo com Alexandre, não se trata necessariamente de temporais isolados, mas de eventos prolongados, com chuva persistente durante muitas horas ou até dias seguidos. "É aquela chuva constante que vai acumulando grandes volumes ao longo do tempo. Foi o que aconteceu em São Paulo e em várias regiões do interior", destaca.
Embora o atual episódio de instabilidade comece a perder força gradualmente, a previsão indica que novas frentes frias devem chegar ao Sudeste dentro de cerca de uma semana. O padrão tende a se repetir ao longo dos próximos meses, impulsionado pela atuação moderada do El Niño.
Para o setor cafeeiro, principalmente no Sul de Minas, Mogiana Paulista e Cerrado Mineiro, o excesso de umidade pode atrasar a colheita, dificultar o acesso das máquinas às lavouras e comprometer a qualidade dos grãos. A cana-de-açúcar também entra na lista das culturas mais afetadas, já que a chuva interfere diretamente nas operações de corte e moagem.
Apesar do avanço de uma massa de ar frio, o risco de geadas nas principais áreas produtoras de café é considerado baixo. Segundo Alexandre, o cenário é diferente daquele normalmente associado à formação de geadas.
"Quando a gente tem geada, normalmente há céu limpo e forte resfriamento durante a madrugada. Agora o que estamos observando é muito vento, muita umidade, chuva e temperaturas baixas ao longo do dia inteiro. É mais aquele frio úmido e persistente", afirma.
As temperaturas seguem baixas nesta quarta e quinta-feira, mas começam a subir gradualmente a partir de sexta. Ainda assim, o meteorologista recomenda atenção ao planejamento das atividades agrícolas.
A orientação para produtores de café, cana e hortaliças é aproveitar as breves janelas de tempo firme entre uma frente fria e outra. "Deu uma baixada na umidade e abriu uma janela de alguns dias, é hora de acelerar os trabalhos no campo. Porque, pelo padrão que estamos observando, uma nova frente fria pode chegar em cinco a sete dias", ressalta Alexandre.
No Sul de Minas, cidades como Guaxupé devem registrar chuva por mais dois dias antes de uma breve melhora nas condições do tempo. Já no Triângulo Mineiro, a chegada de áreas de instabilidade também mantém a previsão de precipitações frequentes. Na Zona da Mata mineira, incluindo municípios como Carangola, o cenário segue semelhante, com alta frequência de chuva e pouca chance de geada.
A expectativa da Nottus é que o Sudeste continue sob influência recorrente das frentes frias durante boa parte do inverno, mantendo produtores em alerta para os impactos da umidade excessiva nas atividades de campo.
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