Tornado deixa estragos no Paraná e FAEP cobra crédito emergencial para produtores afetados

Publicado em 10/08/2026 11:50 e atualizado em 10/08/2026 12:45
Piraí do Sul concentra os principais danos, mas temporais também atingiram outros municípios. Entidade pede levantamento das perdas, apoio financeiro e prioridade no restabelecimento da energia

O tornado registrado no Paraná no último sábado (8) deixou danos em áreas urbanas e rurais de diferentes municípios e colocou em discussão,a necessidade de medidas emergenciais para a população e os produtores atingidos. O Sistema FAEP cobra dos governos estadual e federal uma resposta coordenada, com levantamento dos prejuízos, restabelecimento prioritário da energia elétrica e criação de crédito emergencial para a reconstrução das propriedades.

Em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, 20 residências localizadas na área rural foram afetadas pelo fenômeno. As comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e o bairro Santo André estão entre as áreas atingidas. Ao menos 20 pessoas ficaram desalojadas e foram acolhidas por familiares. Nesta segunda-feira, o levantamento dos prejuízos segue sendo fundamental para dimensionar os impactos do temporal.

Simepar ainda avalia a intensidade do tornado

O Simepar ((Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) confirmou, a partir das características observadas nas imagens, a ocorrência de um tornado em Piraí do Sul. A intensidade do fenômeno, porém, ainda depende da conclusão da avaliação técnica.
O trabalho considera informações coletadas em campo, imagens aéreas, relatos de moradores e a distribuição dos danos provocados pelo vento. A análise é necessária para estabelecer oficialmente a categoria do tornado. Além de Piraí do Sul, tempestades severas foram registradas em municípios como Telêmaco Borba, Tibagi, Guarapuava, Candói, Castro, Jaguariaíva e Nova Aurora. Os eventos provocaram danos em casas, galpões e granjas, além da queda de árvores e postes. Algumas propriedades também ficaram sem fornecimento de energia elétrica. Em Candói, por exemplo, o temporal provocou danos em imóveis e estruturas. O município registrou ocorrências relacionadas aos fortes ventos, dentro de um cenário de instabilidade que atingiu diferentes áreas do Estado. 

FAEP cobra resposta para produtores rurais

Diante dos prejuízos, o Sistema FAEP e sindicatos rurais passaram a cobrar medidas imediatas dos governos do Paraná e federal. A entidade quer que as Defesas Civis municipais façam um levantamento detalhado dos danos e iniciem o atendimento às comunidades atingidas.

A FAEP informou que vai formalizar pedidos às Secretarias estaduais da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e da Fazenda (Sefa), além da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Entre as medidas defendidas está a criação de crédito emergencial pré-aprovado para moradores e produtores rurais que tiveram perdas.

Para a entidade, a recomposição do fornecimento de energia também deve ser tratada como prioridade, especialmente nas propriedades rurais afetadas.

“A população das áreas rural e urbana precisa de uma resposta imediata e coordenada do Poder Público. A Defesa Civil tem que atuar nos municípios e a Copel dar prioridade ao restabelecimento da energia”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo ele, o crédito emergencial seria uma medida inicial para que os atingidos possam reconstruir estruturas e retomar as atividades. 

A entidade também voltou a cobrar ações preventivas diante da recorrência de eventos climáticos severos no Paraná. Em julho, representantes de órgãos públicos, universidades e entidades participaram de uma reunião na Assembleia Legislativa do Paraná para discutir os possíveis impactos do El Niño e estratégias de preparação para fenômenos como tornados, vendavais e granizo.

Segundo dados apresentados pela FAEP, o Paraná registrou cerca de 6 mil desastres naturais na última década. Os eventos atingiram os 399 municípios do Estado, afetaram mais de 4,5 milhões de pessoas e provocaram prejuízos estimados em R$ 32 bilhões. 

Preocupação com os prejuízos no campo

A cobrança da FAEP ocorre também diante do impacto que eventos desse tipo podem provocar sobre a infraestrutura das propriedades rurais. Além de residências, os temporais danificaram galpões, granjas, redes elétricas e outras estruturas utilizadas nas atividades agropecuárias.

A entidade alerta que a resposta precisa considerar tanto as famílias atingidas quanto a capacidade de os produtores retomarem a produção.

O objetivo é evitar que os prejuízos estruturais deixados pelo tornado e pelas tempestades comprometam por mais tempo a atividade econômica das regiões afetadas.

A FAEP também cita como precedente o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, em novembro de 2025. Segundo a entidade, produtores rurais afetados naquela ocasião ainda enfrentam dificuldades para acessar medidas de apoio destinadas à reconstrução das propriedades. 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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