Trigo abre estável em Chicago, mas queda na produção brasileira pode sustentar preços no país
O mercado do trigo iniciou a sessão desta quarta-feira (22) com leve valorização na Chicago Board of Trade (CBOT), refletindo um cenário mais equilibrado no mercado internacional, enquanto no Brasil os fundamentos seguem apontando sustentação dos preços.
Na abertura, o contrato maio/26 foi cotado a US$ 6,05/bu, com alta de 6 pontos. O julho/26 operava a US$ 6,13/bu, registrando valorização de 6 pontos, enquanto o setembro/26 era negociado a US$ 6,25/bu, com alta de 2 pontos nas primeiras negociações do dia.
O comportamento mais contido em Chicago ocorre em meio a um cenário global de oferta ainda relativamente confortável. Medidas recentes envolvendo exportações de trigo da Índia ajudam a reduzir riscos de escassez no mercado internacional, o que limita movimentos mais expressivos de alta nas cotações.
Por outro lado, o mercado segue atento às condições das safras e ao fluxo global de exportações, fatores que continuam trazendo volatilidade para os preços, ainda que em menor intensidade neste início de sessão.
No Brasil, o cenário é mais firme. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a perspectiva de queda na produção nacional em 2026, que pode ser a menor dos últimos seis anos, vem sustentando os preços internos do cereal.
A redução da área em estados importantes como o Rio Grande do Sul, aliada à menor rentabilidade observada nas últimas safras e às incertezas climáticas, contribui para esse cenário de menor oferta. A estimativa é de uma produção próxima de 6,6 milhões de toneladas, abaixo do ciclo anterior.
Além disso, o Cepea destaca que, desde o segundo semestre de 2025, os preços no Sul do país têm sido negociados abaixo dos valores mínimos da Política de Garantia de Preços, o que desestimula o produtor e influencia diretamente as decisões para a nova safra.
O cenário atual reforça a importância de atenção ao mercado. Enquanto Chicago mostra estabilidade com leve viés positivo, o Brasil enfrenta fundamentos mais apertados, o que pode manter os preços sustentados no mercado interno.