Trigo dispara em Chicago e reacende alerta para custos e preços no Brasil
O mercado do trigo encerrou esta quinta-feira (23) em forte alta na Chicago Board of Trade (CBOT), com recuperação consistente após as perdas recentes e reforçando o ambiente de volatilidade que vem marcando as negociações do cereal.
No fechamento, o contrato maio/26 foi cotado a US$ 6,10/bu, com alta de 114 pontos. O julho/26 encerrou a US$ 6,20/bu, registrando valorização de 132 pontos, enquanto o setembro/26 fechou a US$ 6,33/bu, com alta de 130 pontos.
O avanço nas cotações está ligado a um movimento de recuperação após as quedas anteriores, com recomposição de posições por parte dos investidores, além de maior atenção aos fundamentos de oferta. O mercado também segue monitorando condições das lavouras no Hemisfério Norte, que continuam sendo fator relevante para a formação dos preços.
Mesmo com a pressão recente vinda de uma oferta global considerada suficiente, o trigo voltou a ganhar força, mostrando que o mercado ainda reage rapidamente a qualquer mudança de percepção sobre produção e estoques.
Na América do Sul, o cenário segue no radar. A Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, enfrenta custos elevados de produção, especialmente com fertilizantes, o que pode impactar o plantio e, consequentemente, a oferta futura. Esse fator continua sendo acompanhado de perto pelos agentes de mercado.
No Brasil, os fundamentos permanecem de sustentação. A perspectiva de menor produção nacional em 2026 e a oferta mais ajustada no mercado disponível mantêm os preços firmes, com moinhos atuando de forma ativa na reposição de estoques.
A forte alta em Chicago reforça a necessidade de atenção por parte do produtor rural. A volatilidade segue elevada e movimentos como o desta quinta-feira podem abrir oportunidades, mas também exigem estratégia na comercialização, já que o mercado continua sensível tanto ao ambiente internacional quanto às condições regionais.