Trigo recua em Chicago no fim da semana, mas oferta restrita mantém mercado brasileiro firme
O mercado do trigo encerrou esta sexta-feira (24) em baixa na Chicago Board of Trade (CBOT), devolvendo parte dos ganhos recentes em um movimento de ajuste técnico, com operadores reduzindo posições no fim da semana.
No fechamento, o contrato maio/26 foi cotado a US$ 6,08/bu, com baixa de 24 pontos, após ter trabalhado entre a máxima de US$ 6,16/bu e mínima de US$ 6,02/bu ao longo do dia. O julho/26 encerrou a US$ 6,16/bu, com recuo de 34 pontos, oscilando entre US$ 6,25/bu e US$ 6,11/bu. Já o setembro/26 fechou a US$ 6,30/bu, com queda de 30 pontos, tendo atingido máxima de US$ 6,38/bu e mínima de US$ 6,24/bu.
O comportamento do mercado indica não apenas uma correção após as altas recentes, mas também um ambiente de maior cautela por parte dos investidores. A proximidade do fim de semana favorece a realização de lucros, enquanto o mercado segue sem novos fundamentos suficientemente fortes para sustentar novas altas no curto prazo.
No cenário internacional, a oferta global ainda é vista como relativamente confortável, o que limita movimentos mais agressivos de valorização. Ao mesmo tempo, o mercado continua sensível a qualquer mudança nas condições climáticas nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, fator que segue no radar dos agentes.
Outro ponto importante é o comportamento técnico do mercado. Após dias de valorização mais intensa, o recuo desta sexta-feira também reflete uma reorganização das posições, comum em momentos de volatilidade mais elevada.
No Brasil, o cenário segue com dinâmica própria e mais firme. Segundo a Safras & Mercado, os preços continuam sustentados pela combinação de oferta restrita e baixa liquidez. Muitos produtores seguem fora do mercado, aguardando melhores oportunidades, enquanto os moinhos compram de forma pontual, o que reduz o volume negociado.
Esse travamento nas negociações internas acaba dando sustentação aos preços, mesmo quando o mercado externo apresenta recuos. A necessidade de reposição por parte da indústria segue presente, mas encontra dificuldade na originação, o que mantém o mercado ajustado.
Além disso, o Brasil continua dependente das importações, principalmente da Argentina, e qualquer sinal de restrição de oferta no país vizinho segue sendo acompanhado de perto, reforçando a cautela dos compradores.
De um lado, Chicago recua com ajustes técnicos e ausência de novos fatores altistas no curto prazo. Do outro, o mercado interno segue sustentado, com pouca oferta e negociações lentas.
Esse cenário reforça a importância de estratégia na comercialização. A volatilidade externa continua presente, mas, no Brasil, os fundamentos ainda indicam um ambiente de preços firmes, especialmente enquanto a oferta permanecer limitada.