Indústria do trigo alerta para custos elevados e instabilidade no mercado

Publicado em 03/08/2026 09:34
Queda na produção, instabilidade global e aumento das importações elevam incertezas para 2026 e pressionam a cadeia de alimentos

O setor de moagem de trigo brasileiro acompanha com crescente preocupação o cenário para a safra de 2026. Segundo dados de mercado, a combinação de fatores internacionais e domésticos intensificam a pressão sobre os custos da cadeia de moagem, com possíveis reflexos em toda a indústria de alimentos.

Considerado um dos pilares da segurança alimentar global, o trigo responde por cerca de 20% das calorias e proteínas consumidas no mundo, segundo a FAO. No Brasil, é matéria-prima essencial para produtos amplamente presentes na dieta da população, como pães, massas, biscoitos e bolos.

A elevada dependência de importações — sobretudo da Argentina — torna o país particularmente sensível às oscilações do mercado internacional. “O Brasil não é autossuficiente em trigo e, por isso, qualquer turbulência externa tem impacto direto sobre custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento”, afirma o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo - Abitrigo, Rubens Barbosa.

No cenário global, permanecem fatores de forte instabilidade. A guerra entre Rússia e Ucrânia, aliada às tensões no Oriente Médio, segue pressionando os mercados de commodities. Esse ambiente eleva os custos de energia, combustíveis, fretes, seguros e logística, encarecendo a importação do cereal e dificultando o planejamento das indústrias.

No mercado interno, os sinais também exigem atenção. A combinação de fatores climáticos e econômicos resultou em redução da área cultivada, e diminuirá a safra de 2026, segundo a CONAB, em 23,5% em relação ao ano anterior, fator que provocará o aumento das importações de 2027 em 1,9 de milhões de toneladas. Além disso, o excesso de chuvas registrado no Rio Grande do Sul — principal estado produtor de trigo do país — levanta preocupações quanto à produtividade, à qualidade do grão e ao volume efetivamente disponível da safra atualmente em colheita, que podem agravar ainda mais o cenário.

“Estamos diante de um cenário que combina menor oferta interna, maior necessidade de importação e custos internacionais mais elevados. Isso aumenta significativamente a complexidade da operação das indústrias moageiras”, destaca Barbosa.

Mercado de farelo de trigo

Outro fator que impacta a competitividade do setor é o mercado de farelo de trigo. A queda expressiva nos preços do milho reduziu o valor desse importante coproduto, comprometendo o equilíbrio econômico da moagem. Como consequência, cresce a pressão sobre os custos de produção e sobre a formação dos preços da farinha.

“Quando o farelo perde valor, parte importante da receita da indústria é afetada. Isso acaba pressionando o custo final da farinha e, por consequência, de diversos alimentos consumidos diariamente pela população. Diante desse cenário, garantir o abastecimento em quantidade, qualidade e custo adequados torna-se um desafio crescente”, destaca Barbosa.

Segundo a Abitrigo, não há risco de desabastecimento de trigo no mercado interno. A indústria segue empenhada em assegurar o fornecimento contínuo. “A segurança do abastecimento de trigo passa por planejamento, gestão de riscos e acompanhamento constante dos mercados. O setor está mobilizado, mas o contexto exige vigilância permanente”, conclui Barbosa.

Fonte: Abitrigo

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