Trigo perde quase 2% em Chicago nesta quarta-feira e fecha abaixo de US$ 6,00 pela primeira vez desde julho

Perspectivas de maior oferta na Argentina e Austrália e demanda americana enfraquecida permanecem no radar
Publicado em 28/10/2026 16:05

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Os preços futuros do trigo encerraram a quarta-feira (28) em forte queda na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando as perdas registradas nos últimos pregões. O contrato dezembro/26 recuou 1,84% e terminou abaixo dos US$ 6,00 por bushel, em um mercado pressionado pelas perspectivas de oferta internacional e pelas preocupações com a competitividade das exportações norte-americanas.

O vencimento dezembro/26 fechou cotado a US$ 5,9900 por bushel, com desvalorização de 11,25 cents em relação à terça-feira. O março/27 perdeu 9,75 cents, encerrando a US$ 6,1325, enquanto o maio/27 recuou 9 cents, para US$ 6,2050 por bushel. O julho/27 registrou queda de 7,25 cents e terminou cotado a US$ 6,2625.

O movimento dá continuidade à pressão observada na terça-feira (27), quando o dezembro havia recuado 0,93%, encerrando a US$ 6,1025 por bushel. Com a nova desvalorização, o contrato acumula perda de 2,76% nos dois últimos pregões.

A sequência negativa ocorre após o trigo já ter atingido, na sessão anterior, seu menor patamar desde julho. Segundo análise divulgada pelo CME Group, a pressão vendedora levou o contrato dezembro a níveis de sobrevenda técnica, sinalizando a intensidade das perdas recentes, sem necessariamente indicar uma recuperação imediata.

Perspectivas de produção na Argentina e Austrália ampliam atenção sobre oferta

O mercado internacional acompanha projeções de produção de trigo acima das estimativas oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em duas importantes origens exportadoras.

Na Argentina, o adido agrícola americano em Buenos Aires estima a produção da temporada 2026/27 em 23 milhões de toneladas, diante dos 21,5 milhões considerados no balanço oficial do USDA. A projeção de exportações do escritório é de 17 milhões de toneladas, 1 milhão acima da estimativa oficial americana.

Na Austrália, o adido agrícola americano trabalha com produção de 32 milhões de toneladas, também superior à projeção oficial do USDA, de 31 milhões. Para as exportações australianas, a estimativa do escritório é de 25 milhões de toneladas, diante dos 23,5 milhões previstos oficialmente pelo departamento.

Embora essas projeções não representem necessariamente revisões oficiais do USDA, elas reforçam a perspectiva de oferta relevante entre importantes concorrentes do trigo americano no comércio internacional.

A evolução dos fluxos comerciais na região do Mar Negro também permanece no radar. As negociações envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia e as condições de transporte de grãos continuam influenciando as expectativas sobre o abastecimento internacional. Entretanto, as restrições logísticas e os riscos aos embarques persistem, sem confirmação de uma normalização das operações na região.

Exportações americanas e plantio de inverno seguem no radar

Nos Estados Unidos, o desempenho das exportações continua sendo um fator de preocupação. Segundo dados do USDA, as inspeções de trigo para exportação somaram aproximadamente 183,8 mil toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, em um cenário de embarques acumulados inferiores aos observados no mesmo período da temporada anterior.

O resultado reforça a atenção sobre a competitividade do trigo norte-americano, especialmente diante das ofertas de outras origens exportadoras e das oscilações do dólar.

No campo, os produtores americanos avançam na implantação da safra de inverno. Até domingo (25), a semeadura havia alcançado 76% da área prevista, um ponto percentual abaixo da média dos últimos cinco anos. A emergência das lavouras atingiu 53%, também ligeiramente inferior à média histórica.

As condições de desenvolvimento da nova safra e a evolução do clima nas principais regiões produtoras serão importantes para as expectativas de oferta nos próximos meses, embora o mercado continue concentrado, no curto prazo, na disponibilidade internacional e na demanda pelo produto americano.

Com isso, o trigo encerra a quarta-feira ampliando as perdas em Chicago, com o contrato dezembro abaixo de US$ 6,00 por bushel. A evolução das exportações, as estimativas de produção na América do Sul e na Oceania e os acontecimentos na região do Mar Negro continuarão entre os principais fatores acompanhados pelos operadores.

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