Trigo recua em Chicago após plano turco para transporte no Mar Negro
Por Heather Schlitz
CHICAGO, 31 Ago (Reuters) - Os contratos futuros do trigo em Chicago caíram nesta segunda-feira, após atingirem máximas de três anos na sessão anterior, já que o cereal sofreu pressão de venda motivada pela notícia de que a Turquia anunciou ter elaborado um plano para a passagem segura de grãos pelo Mar Negro.
A Turquia afirmou ainda estar em contato tanto com a Rússia quanto com a Ucrânia a respeito disso.
Os futuros do trigo atingiram máximas de vários anos na semana passada com a notícia de que a Rússia poderia intensificar os ataques com mísseis contra a Ucrânia, reduzindo as perspectivas de retomada dos embarques de grãos da Rússia e da Ucrânia.
"Quando se tem uma alta bastante significativa, basta uma percepção para movimentar o mercado", disse Jim Gerlach, presidente da A/C Trading.
A Turquia tem reiterado sua disposição de retomar um acordo mediado pela ONU que permitiu a saída de grãos da Ucrânia durante o conflito.
"Elaboramos um plano e estamos em contato com ambos os lados a respeito dele", disse o ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, em uma coletiva de imprensa em Istambul. "Se surgirem as condições necessárias, estamos trabalhando especificamente para chegar a outro acordo semelhante ao acordo sobre grãos."
O contrato mais negociado de trigo fechou com queda de 10 centavos, a US$7,74 por bushel.
O milho e a soja também recuaram em relação às máximas da vigência do contrato atingidas na manhã desta segunda-feira, devido à realização de lucros e à fraqueza indireta causada pela queda dos futuros do trigo, embora ambos tenham sido apoiados por fundamentos altistas.
O milho fechou com alta de 1,25 centavos, a US$5,3775 por bushel, após atingir anteriormente uma nova máxima histórica do contrato de US$5,42, a maior desde o verão de 2023.
A soja fechou inalterada a US$12,88 por bushel, após também ter atingido anteriormente uma máxima de US$12,945 por bushel.
A demanda contínua por exportações de soja dos EUA e o aumento dos preços do petróleo ajudaram os futuros da soja a atingirem máximas do contrato.
Os preços do petróleo subiram mais de 2% na segunda-feira, depois que a retomada das ações militares entre os EUA e o Irã reacendeu as preocupações do mercado com a interrupção do abastecimento global, à medida que o conflito se estendeu para seu sexto mês [O/R]. Os futuros da soja costumam acompanhar os movimentos do petróleo, já que a oleaginosa é comumente usada como matéria-prima para biocombustíveis.
No caso do milho, as expectativas de uma safra fraca na região produtora dos EUA continuaram a impulsionar os preços para cima.