Trigo volta a cair em Chicago e perde os US$ 6,00, com exportações americanas enfraquecidas

Publicado em 03/11/2026 16:47
Dezembro recua 1,11% após recuperação no pregão anterior; processamento industrial menor, condições das lavouras e concorrência russa seguem no radar

Os preços futuros do trigo voltaram a registrar perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta terça-feira (3), devolvendo a recuperação observada no primeiro pregão de novembro. O contrato dezembro/26 retornou para abaixo dos US$ 6,00 por bushel, em um mercado que continua acompanhando o enfraquecimento dos embarques norte-americanos, a redução do processamento industrial e as perspectivas de oferta internacional.

Na última cotação apresentada pela Barchart, o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 5,9975 por bushel, com queda de 6,75 cents, equivalente a 1,11%. O março/27 recuava 8,75 cents, para US$ 6,1075, enquanto o maio/27 também perdia 8,75 cents, cotado a US$ 6,1650. O julho/27 registrava baixa de 8,75 cents, para US$ 6,2250 por bushel.

Durante a sessão, o dezembro/26 chegou a ser negociado a US$ 6,0850 por bushel, mas perdeu força e recuou até US$ 5,9650. O movimento ocorreu depois de uma segunda-feira (2) de pequenas valorizações, quando o contrato havia recuperado os US$ 6,00 e terminado a US$ 6,0650 por bushel.

Inspeções de exportação recuam e demanda industrial perde ritmo

Os indicadores recentes de demanda permanecem entre os principais pontos de atenção para o mercado de trigo.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as inspeções de trigo para exportação somaram apenas 75.413 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, diante das 195.054 toneladas registradas na semana anterior. O resultado representa uma queda de aproximadamente 61,34%.

Na comparação com o mesmo período de 2025, quando os embarques inspecionados alcançaram 351.392 toneladas, a retração foi de aproximadamente 78,54%.

No acumulado do ano comercial 2026/27, as inspeções totalizaram 7,53 milhões de toneladas, abaixo dos 11,83 milhões contabilizados no mesmo intervalo da temporada anterior.

Além do comércio exterior, os números da indústria também mostraram redução na utilização do cereal. Segundo o relatório trimestral Flour Milling, divulgado pelo USDA, o processamento de trigo para fabricação de farinha alcançou 227 milhões de bushels entre julho e setembro, volume 4,4 milhões de bushels inferior ao registrado no mesmo trimestre de 2025.

A combinação entre embarques mais fracos e processamento industrial menor acrescenta preocupações sobre o ritmo de absorção da oferta norte-americana.

Trigo de inverno tem 44% das lavouras em boas ou excelentes condições

No campo, o USDA informou na segunda-feira que o plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos havia alcançado 83% da área prevista até 1º de novembro, ligeiramente abaixo da média de 84% dos últimos cinco anos.

A emergência das plantas chegou a 65%, exatamente em linha com a referência histórica para o período.

Em relação às condições das lavouras, 38% foram classificadas como boas e 6% como excelentes, totalizando 44% nessas categorias. Outros 38% estavam em condições regulares, enquanto 18% apresentavam condições ruins ou muito ruins.

Segundo análise do Barchart, o índice Brugler500 de condições das lavouras ficou em 327 pontos, um ponto abaixo da avaliação inicial do ano anterior.

Os números mostram que, embora o plantio esteja próximo do ritmo histórico, as condições iniciais de desenvolvimento permanecem como um fator importante para as expectativas da próxima safra americana.

Oferta russa continua entre os fatores de concorrência

No mercado internacional, a disponibilidade de trigo na região do Mar Negro também permanece entre os fundamentos acompanhados pelos operadores.

Segundo informações divulgadas pelo Barchart nesta terça-feira, a consultoria russa IKAR estima que as exportações de trigo da Rússia alcancem 39,5 milhões de toneladas na temporada 2026/27.

A perspectiva de participação expressiva do país no comércio internacional mantém a concorrência entre os fornecedores como um elemento relevante para a formação dos preços, especialmente em um momento de menor movimentação dos embarques norte-americanos.

Para os produtores brasileiros, o retorno de Chicago para abaixo dos US$ 6,00 por bushel representa uma nova redução das referências internacionais. Entretanto, a formação dos preços domésticos também dependerá das condições de oferta e qualidade do trigo nacional, do câmbio e da competitividade do produto importado, especialmente da Argentina.

A evolução das exportações americanas, as condições do trigo de inverno e as perspectivas de disponibilidade nas principais origens produtoras continuarão entre os fatores acompanhados pelo mercado nas próximas sessões.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Trigo volta a cair em Chicago e perde os US$ 6,00, com exportações americanas enfraquecidas
Trigo recupera os US$ 6,00 em Chicago e inicia novembro com pequenas altas, apesar da pressão sobre exportações
Perdas na safra de trigo paulista agravam desafios para a cadeia produtiva estadual
Trigo perde quase 2% em Chicago nesta quarta-feira e fecha abaixo de US$ 6,00 pela primeira vez desde julho
Trigo/Cepea: Preços externos recuam, mas oferta restrita sustenta cotações no Brasil
Brasil deve importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027