Fertilizantes já têm forte alta em 2021, com MAP subindo 40% em 60 dias e deteriorando relações de troca

Publicado em 25/02/2021 11:54 e atualizado em 25/02/2021 14:23
Relações de troca com o MAP - considerando a soja 2022 - passaram de 18 sacas, em novembro, para 25 sacas de por tonelada atualmente. Atenção às questões logísticas, de câmbio e compras longas que vieram sendo feitas pelos produtores.
Jeferson Souza - Analista de Fertilizantes da Agrinvest

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Entrevista com Jeferson Souza - Analista de Fertilizantes da Agrinvest sobre o Mercado de Fertilizantes

 

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2021 começa com altas expressivas nos preços dos fertilizantes. Desde janeiro, o MAP já registra altas de 40% e o super triplo, 60% até este momento, ganhos que já têm sido repassados aos produtores. Para o KCL, o aumento dos preços chega a 25%. 

"Tivemos uma notícia no mês passado que trouxe bastante impacto para o mercado de fertilizantes. O produtor brasileiro já comprou 40% do volume esperado para todo 2021. Do lado da oferta, ela está muito fomentada e no lado da produção tivemos alguma redução em polos importantes", explica Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest. 

O volume alto já adquirido pelos sojicultores brasileiros se deu pelas boas relações de troca que foram registradas nos últimos meses e que, diante dessas altas, já se deterioraram. No caso do MAP, o que eram 18 sacas de soja por uma tonelada do insumo em novembro de 2020 passou a 25 sacas atualmente, considerando soja 2022. Nos portos, a média de preços do insumo varia de US$ 680 a US$ 690,00 por tonelada. 

"A relação rompeu seu intervalo histórico de cinco anos. O produtor acaba vendendo sua soja um pouco mais cara, mas  quando compra o fertilizante, o preço também fica mais caro", explica Sousa. "O produtor aumentou sua área de soja, e certamente deve aumentar nos próximos anos e o Brasil deve se tornar o terceiro maior consumidor de fertilizantes do globo, hoje estamos na quarta posição". 

Mais do que isso, o analista afirma ainda que as entregas estão projetadas em 40 milhões de toneladas em 2021, contra algo entre 37,5 e 38 milhões de toneladas em 2020. E com o produtor mais capitalizado, o investimento em mais produtividade é maior, o que também aumenta a demanda. E este não é um movimento só no Brasil, mas também registrado no exterior. 

E embora ainda com um percentual baixo, já há fertilizantes sendo comercializados também para 2022. "E eu acredito que o produtor deve segurar um pouco mais as compras dados os preços altos, sendo um pouco  mais cauteloso para fechar 2022/2023. As relações de troca não estão tão favoráveis como no ano passado. E esse termômetro, se o produtor utilizar, ele vai perceber que pode não ser bom pensar tão a frente, como no ano passado e nesta temporada", acredita Souza. 

Com a demanda menos intensa, a tendência é de que haja uma acomodação dos preços. Nas últimas duas semanas, a ureia já registra uma baixa de US$ 7,00 a US$ 8,00 a tonelada. 

Acompanhar as condições no cenário externo também será importante para entender o caminho dos preços a partir de agora. "Nas últimas duas semanas, tivemos as questões climáticas complicadas nos EUA, paralisaram algumas plantas de produção e o produtor também para um pouco de comprar. Assim, os preços por lá da ureia e a demanda interna foram reduzidos", diz. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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