Embrapa e MCTI lançam projeto Sal da Terra em Pernambuco
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Com investimento de aproximadamente R$ 21 milhões, a Embrapa e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançaram, em Pernambuco, o Projeto Sal da Terra. A iniciativa promoverá pesquisas e a transferência de tecnologias para o aproveitamento produtivo de águas salobras em comunidades rurais do Semiárido brasileiro atendidas pelo Programa Água Doce. O projeto prevê a implantação de 50 unidades produtivas em agricultura biossalina, a capacitação de cerca de 700 agricultores familiares e o fortalecimento de sistemas produtivos adaptados às condições ambientais da região. O lançamento ocorreu em 26 de junho, no Campo Experimental da Caatinga da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), e contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler. Durante o evento, a ministra Luciana Santos destacou a contribuição histórica da Embrapa para o desenvolvimento do Brasil e para a consolidação do país como uma potência mundial na produção de alimentos. "A Embrapa tem uma trajetória extraordinária. Não seria possível alcançarmos a posição de destaque que ocupamos hoje sem a ciência e a tecnologia desenvolvidas por essa instituição. O Brasil possui uma enorme riqueza natural, mas é por meio da pesquisa e da inovação que conseguimos transformá-la em desenvolvimento e qualidade de vida para a população", afirmou. Segundo a ministra, o projeto Sal da Terra representa a aplicação dessa ciência na solução de desafios complexos do Semiárido brasileiro. "O projeto, realizado em parceria com o MCTI, levará soluções tecnológicas para ampliar o aproveitamento produtivo das águas salobras e fortalecer a agricultura familiar. É a ciência colocada a serviço da população, da inclusão social e do desenvolvimento sustentável", ressaltou. Em sua fala, a diretora da Embrapa, Ana Euler, ressaltou o alinhamento do Projeto Sal da Terra às diretrizes estratégicas da Embrapa, especialmente nos eixos relacionados à gestão dos recursos naturais, à inclusão socioprodutiva, à bioeconomia e aos sistemas integrados de produção, considerados fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. "A Embrapa Semiárido é uma referência institucional na adaptação às mudanças do clima e tem demonstrado, ao longo de sua trajetória, a capacidade de transformar cenários de restrição e escassez em oportunidades de desenvolvimento. O Projeto Sal da Terra representa exatamente essa visão, ao ampliar as possibilidades de uso produtivo das águas salobras e salinas disponíveis no Semiárido, contribuindo para a geração de renda, a segurança alimentar e a sustentabilidade dos sistemas produtivos regionais", afirmou. Conheça o Projeto Sal da Terra Resultado da parceria entre a Embrapa e o MCTI, por meio do Programa Águas para o Semiárido, o Projeto Sal da Terra será executado em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, em comunidades atendidas pelo Programa Água Doce. O projeto conta ainda com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e financiamento da Finep. Em Pernambuco, a Embrapa Semiárido terá papel estratégico na execução da iniciativa. A área experimental dedicada à agricultura biossalina será revitalizada para ampliar as pesquisas sobre o aproveitamento produtivo de águas salobras e receberá uma vitrine tecnológica permanente no espaço do Semiárido Show, permitindo a demonstração das soluções desenvolvidas pela Empresa para produtores, técnicos e parceiros. Pesquisa e transferência de tecnologia Segundo o coordenador do projeto, o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Semiárido, Diogo Porto, as ações estão estruturadas em duas frentes: pesquisa e transferência de tecnologia. Na área de pesquisa, serão conduzidos estudos voltados à geração e validação de tecnologias para o uso produtivo de águas salobras, incluindo a avaliação de plantas alimentícias e forrageiras tolerantes à salinidade, a produção de microalgas, o aproveitamento do concentrado salino na nutrição animal, o monitoramento da qualidade da água e do solo e pesquisas sobre a sustentabilidade dos sistemas produtivos biossalinos.
Já as ações de transferência de tecnologia incluem diagnósticos participativos em comunidades rurais, capacitação de agricultores, técnicos e extensionistas, implantação de unidades produtivas e áreas demonstrativas, além da disseminação de tecnologias já desenvolvidas pela Embrapa. Entre elas, destacam-se a criação de tilápias utilizando águas salobras, o cultivo da erva-sal (Atriplex spp.) e sistemas integrados de produção adaptados às condições do Semiárido. Articulação A articulação do Projeto Sal da Terra teve início em 2023, durante a 10ª edição do Semiárido Show, quando foram discutidas oportunidades de integração entre as tecnologias de agricultura biossalina desenvolvidas pela Embrapa e a infraestrutura implantada pelo Programa Água Doce. A parceria foi formalizada em agosto de 2025, durante a 11ª edição do Semiárido Show e, em 2026, o projeto entrou em sua fase de execução. Até o momento, os eventos de lançamento já foram realizados na Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. |
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