Boa Tarde Agro - Exportações de soja avançam e plantio ganha ritmo, enquanto milho enfrenta lentidão nas vendas externas

Publicado em 13/10/2026 16:49
Balanço do setor aponta movimentação de grãos, reação na importação de fertilizantes, desafios climáticos no campo e o comportamento das cotações em Chicago.
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

O comércio exterior e os trabalhos de campo apresentaram ritmos distintos para as principais culturas agrícolas brasileiras no início de outubro. Enquanto as exportações de soja e o plantio da oleaginosa aceleram e superam a média do ano anterior, o mercado do milho registra lentidão nos embarques e cautela do produtor, refletindo perda de competitividade em relação a concorrentes internacionais, como a Argentina.

Milho enfrenta ritmo lento nas exportações e perda de competitividade

As exportações brasileiras de milho iniciaram outubro sem demonstrar aceleração após um fechamento fraco em setembro. A média diária de embarques ficou praticamente estável em comparação com o mês anterior, mas recuou 16,3% em relação a outubro do ciclo anterior. O volume diário registrado foi de aproximadamente 247,3 mil toneladas.

O desaquecimento está atrelado à perda de competitividade do cereal brasileiro frente a outros exportadores globais, em especial a Argentina, que colheu safra expressiva no último ciclo e oferta o produto a valores mais atrativos no mercado internacional. Paralelamente, dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que os produtores seguem cautelosos na comercialização interna e futura do grão diante das incertezas de preços e janelas de plantio.

Soja mantém força externa e comercialização antecipada

Em contraste com o milho, o ritmo das exportações de soja cresceu 11,7% no início de outubro, com avanço de 26% na receita média diária. Nos primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 2,39 milhões de toneladas da oleaginosa. O valor médio por tonelada também registrou alta, passando de pouco mais de US$ 420 para patamares superiores a US$ 480.

Apesar do bom volume, a comercialização da safra remanescente encontra-se mais restrita devido à baixa liquidez, já que mais de 93% da safra disponível já foi negociada. Quanto à safra nova, as vendas avançadas cobrem cerca de 33% a 34% da produção esperada, aproveitando momentos anteriores de valorização cambial e preços remuneradores.

Importações de fertilizantes reagem no início do mês

Após recuos em agosto e setembro, as importações de fertilizantes registraram forte recuperação no início de outubro, com a média diária de entradas aumentando cerca de 31% em comparação com o mês anterior. O movimento é sustentado pela preparação para a safrinha de milho e a safra de verão, além de reduções nos preços médios acumulados de insumos como MAP (-15%), SSP (-24%), ureia (-21%), nitrato de amônio (-32%) e sulfato de amônio (-18,5%).

Condições de campo: plantio de soja avança, mas chuvas trazem alertas

Segundo dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura da soja alcançou 15,6% da área estimada nacionalmente, superando o índice de igual período do ano passado. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná registraram bom avanço, embora o excesso de umidade já traga limitações pontuais no Paraná e em áreas específicas do Centro-Oeste.

Para o milho primeira safra, o plantio nacional atingiu mais de 33%, mas temporais no Sul do país acendem o alerta para o alongamento do ciclo vegetativo e potencial impacto na janela da safrinha. No feijão, a semeadura da primeira safra chegou a 18,1%, número que segue abaixo da média histórica e do ciclo anterior em virtude de chuvas contínuas, frio excessivo e granizo em partes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Análise de Chicago e perspectivas climáticas

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da soja fecharam a sessão em queda, pressionados pelo recuo nas cotações do farelo e pela repercussão de relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontaram produtividade recorde de 53,1 bushels por acre para a safra norte-americana.

Segundo o analista de mercado Rafael Silveira, da consultoria Safras & Mercado, o foco dos operadores tende a se deslocar gradualmente para o desenvolvimento da safra na América do Sul. "Até o final de outubro, os mapas não me preocupam. O que me traz alguns alertas são realmente as projeções a partir de novembro em diante", afirmou Silveira, destacando que projeções de precipitações abaixo da média nas regiões Central e Norte do Brasil, associadas ao fenômeno El Niño, podem adicionar prêmios de risco e volatilidade às cotações internacionais nos próximos meses.

Implicações para o produtor rural

O cenário atual exige cautela e planejamento estratégico do produtor brasileiro. A gestão de custos e a atenção ao escalonamento de vendas são fundamentais em um ambiente de volatilidade climática e oscilações cambiais. Com a janela de plantio da safra de verão em curso, o monitoramento meteorológico diário e a proteção de margens continuam sendo as principais ferramentas para mitigar riscos nas lavouras e na comercialização.

* Com auxílio de IA

Fonte: Notícias Agrícolas

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