Arroba de R$400 já está no radar para o final do ano, mas cenário não está consolidado, alerta Cepea
Arroba de R$400 já está no radar para o final do ano, mas cenário não está consolidado, alerta Cepea
O mercado do boi gordo segue demonstrando resiliência e sustentação nas cotações nesta segunda quinzena de setembro, mantendo a arroba consolidada no patamar acima de R$ 350,00 como referência no estado de São Paulo. A conjuntura para os próximos meses envolve a transição de saída e retomada da demanda da China, além do aquecimento típico do consumo doméstico no último trimestre do ano, contrabalanceados pela necessidade de planejamento rigoroso de custos e gestão de risco.
Cenário de Preços e Expectativas para o Mercado Futuro
Durante a análise setorial, o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, apontou que o mercado físico vem respondendo de maneira positiva, mesmo em um período de mês tradicionalmente mais calmo. Enquanto o mercado futuro na B3 já trabalha com projeções mais esticadas — superando os R$ 370,00 e mirando os R$ 380,00 para o encerramento do ano —, o mercado físico caminha de forma mais cadenciada, registrando pequenos ajustes sucessivos.
Segundo Thiago Bernardino, esse descompasso momentâneo reflete o comportamento natural de negociação: "O mercado futuro é expectativa. O mercado físico é a necessidade de se trabalhar o máximo possível a margem nesse período, que naturalmente se aperta nos próximos meses. Então essa é a dinâmica do que a gente tá observando", explicou.
Retomada da China e Cenário da Demanda Externa
Um dos motores que sustentam as projeções otimistas para a pecuária nacional é o mercado externo. A proximidade da retomada das cotas anuais e a necessidade de abastecimento dos importadores para o Ano Novo Lunar colocam a China novamente no centro das negociações a partir de outubro. Além disso, as movimentações de compras norte-americanas e a busca por novos mercados na Ásia reforçam a posição brasileira na oferta global.
O pesquisador ponderou sobre o equilíbrio das exportações e a competitividade do produto brasileiro: "A China volta. A China claramente vai negociar como um bom negociador, como um bom comprador... Mas ela vai estar, de certa maneira, como a grande parceira do Brasil, principalmente nessa transição entre outubro e novembro até meados de junho e julho", destacou.
Custos e Riscos no Radar do Pecuarista
Embora discussões sobre a arroba romper os R$ 400,00 voltem a circular no setor — sobretudo se consideradas as premiações por animais de padrão exportação —, especialistas recomendam cautela. A combinação de possíveis oscilações no câmbio decorrentes do cenário político e eleitoral, a retenção estratégica de fêmeas na estação de monta e o represamento pontual de animais em confinamento exigem atençãoredobrada aos custos de nutrição e reposição.
"O que o pecuarista tem que estar em mente: ele pode chegar rápido nos R$ 380? Pode. Mas é um amadurecimento e necessidade do mercado... Sempre lembrando que preço puxa custo", alertou Thiago Bernardino, ressaltando que contratos a termo e instrumentos de hedge são fundamentais para garantir rentabilidade frente à volatilidade.
Para a pecuária de corte brasileira, o horizonte de curto e médio prazo sinaliza sustentação e oportunidades de ganhos, desde que o produtor mantenha o foco na gestão financeira da porteira para dentro e aproveite os picos de valorização para travar margens diante das incertezas macroeconômicas.
*Com auxílio de IA