Boi gordo: Mercado futuro mira R$ 400/@ e setor avalia impacto de possível cessão de cota do Uruguai para a China

Publicado em 22/09/2026 12:13 e atualizado em 22/09/2026 12:48
Com preços firmes no mercado físico e contratos na B3 em alta, pecuaristas monitoram desdobramentos de negociações de exportação e demanda externa para o encerramento do ano.
Geraldo Isoldi - Especialista em Mercados Agrícolas da Terra Investimentos

O mercado do boi gordo atravessa um momento de firmeza e otimismo, impulsionado pelo avanço das cotações futuras na B3 e pelo equilíbrio entre a oferta restrita e a demanda aquecida. No programa 'Pecuária e Mercado', do Notícias Agrícolas, o analista Geraldo Isoldi avaliou o comportamento dos preços e comentou as recentes discussões diplomáticas envolvendo a possibilidade de o Brasil utilizar parte da cota de exportação de carne bovina não preenchida pelo Uruguai para a China.

Firmeza no físico e otimismo na B3

No mercado físico, a arroba do boi gordo tem sido negociada em patamares sólidos, variando em média entre R$ 350,00 e R$ 360,00, com a praça paulista consolidando cada vez mais os negócios em R$ 360,00/@. Já no mercado futuro, a curva de preços projeta altas ainda mais expressivas para os próximos meses.

As telas da B3 apontam contratos para outubro em torno de R$ 381,00/@, enquanto novembro e dezembro se aproximam de R$ 389,00/@. Segundo Geraldo Isoldi, há fundamentos que justificam esse movimento estrutural de valorização. O analista destacou que o pecuarista se preparou ao longo do ano para evitar sobreoferta nos meses de agosto e setembro, período que historicamente trazia temores de queda devido ao esgotamento das cotas regulares de exportação.

Negociações de cotas: EUA e a opção uruguaia

O fluxo de exportação brasileiro segue sustentado por diferentes frentes. Nos Estados Unidos, a liberação de uma cota de 300 mil toneladas para o bloco que inclui o Brasil garantiu fôlego adicional para os embarques de setembro, outubro e novembro (100 mil toneladas mensais). Em contrapartida, os embarques diretos sob a cota chinesa oficial de 2026 já foram superados, atingindo mais de 103% do limite previsto.

Nesse contexto, ganhou repercussão no setor a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre conversas com o governo do Uruguai para que o Brasil utilize volumes remanescentes da cota uruguaia de exportação para a China. O Uruguai possui cerca de 200 mil toneladas não aproveitadas. Em um cenário hipotético em que o Brasil absorvesse cerca de 100 mil toneladas dessa margem, haveria um acréscimo de embarques de aproximadamente 17 mil toneladas por semana entre o início de outubro e meados de novembro.

Cautela diplomática e prazos logísticos

Apesar da expectativa positiva, Isoldi alertou para a necessidade de cautela. 'Temos que ser muito cautelosos com essa notícia. Até agora, ninguém se manifestou por parte da China', ressaltou o analista, frisando que qualquer alteração nas cotas depende da anuência formal das autoridades chinesas.

Além do aval de Pequim, o fator logístico impõe um limite temporal estrito. Para que a carne chegue aos portos chineses ainda no ano corrente, os carregamentos precisam ser despachados no máximo até a segunda semana de novembro. Caso o acordo se concretize a tempo, a concorrência direta entre a demanda chinesa e norte-americana em outubro e novembro poderá pressionar a oferta disponível e impulsionar ainda mais as cotações da arroba no Brasil.

Perspectivas para o pecuarista

Com as exportações semanais registrando volumes robustos entre 40 mil e 50 mil toneladas e a oferta interna de animais terminados enxuta, a tendência aponta para a manutenção de preços firmes. Para o produtor, o momento exige atenção contínua à gestão de custos e ao monitoramento dos desfechos diplomáticos na ONU e nas negociações bilaterais, que definirão o ritmo exato da demanda externa nas próximas semanas.

*Com auxílio da IA

Por: Ericson Cunha
Fonte: Notícias Agrícolas

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