Semana encerra com boa alta para arroba do boi e movimento deve se intensificar em outubro
Semana encerra com boa alta para arroba do boi e movimento deve se intensificar em outubro
A segunda quinzena de setembro trouxe uma movimentação atípica e positiva para o mercado do boi gordo no Brasil. Historicamente caracterizado por maior estabilidade ou pressão nas cotações, o período tem registrado valorizações expressivas na arroba do animal terminado, impulsionado por uma oferta contida no mercado físico e expectativas favoráveis tanto na frente externa quanto no consumo doméstico.
Comportamento da oferta e o papel do confinamento
Durante análise no programa Pecuária e Mercado, a analista Isabela Cavalcante, da Agrifatto, destacou que o mercado físico trabalha com um volume menor de animais prontos, refletindo a menor participação de fêmeas nas escalas de abate e a transição do ciclo pecuário. Ao mesmo tempo, o mercado futuro na B3 tem operado com forte descolamento em relação ao físico, com contratos para o final do ano sendo negociados acima de R$ 380 por arroba.
Apesar da aproximação do período de saída de lotes de confinamento, a expectativa não é de reversão da tendência de preços. De acordo com a analista, os animais confinados devem aumentar a oferta disponível, mas sem força suficiente para derrubar as cotações: "Esses animais vão sair, vão aumentar a oferta, mas não é uma oferta que vai pressionar a arroba do boi gordo, e sim, possivelmente, limitar as altas", afirmou Isabela.
Exportações e o apetite chinês
No comércio exterior, os embarques de carne bovina in natura apresentaram recuperação importante na terceira semana de setembro, superando 50 mil toneladas. A proximidade da virada de lote e a preparação para o Ano Novo Chinês devem estimular compras mais agressivas por parte dos importadores do país asiático a partir de meados de outubro.
Além da China, o cenário internacional se mostra favorável com a cota adicional de 300 mil toneladas nos Estados Unidos — onde o Brasil ganha competitividade em relação a outros concorrentes que não contam com acordo de livre comércio ou que têm preços mais elevados —, além de recentes habilitações para a Indonésia. Por outro lado, rumores sobre o uso de cotas do Uruguai para exportação à China foram avaliados como meramente especulativos e sem respaldo oficial das autoridades chinesas.
Consumo doméstico em evolução favorável
Na ponta interna, a reação nos preços da carne no atacado paulista sinaliza uma melhora na demanda. A carcaça casada e, em especial, os cortes do quarto traseiro têm mostrado valorização superior à do dianteiro e da ponta de agulha, indicando preferência por peças mais nobres e cortes para grelha.
Para os próximos meses, o mercado doméstico deve receber suporte sazonal relevante, que inclui as contratações temporárias de fim de ano, as festividades natalinas e o período eleitoral, que historicamente dinamiza a circulação financeira e o consumo de carne bovina.
Perspectivas para a pecuária
O alinhamento entre oferta ajustada e demanda firme desenha um horizonte promissor para os pecuaristas na reta final do ano. A conjuntura aponta para a consolidação da virada do ciclo pecuário, abrindo margens mais atrativas para o setor, embora analistas recomendem prudência na gestão comercial e atenção à evolução das escalas para garantir boas oportunidades de fixação de preços.
* Com auxílio de IA