Cenário é positivo para arroba, mas analista alerta para concentração de oferta de animais no último bimestre
Cenário é positivo para arroba, mas analista alerta para concentração de oferta de animais no último bimestre
O mercado do boi gordo atravessa um momento de expressiva valorização, consolidando novos patamares de preços nas principais praças pecuárias do país. Negócios pontuais atingiram a máxima histórica de R$ 390,00 por arroba nos estados de São Paulo e Minas Gerais, enquanto praças como Goiás e Mato Grosso do Sul registraram negociações na casa dos R$ 370,00. Contudo, Caio Junqueira , da Cross Investimentos chama a atenção para os fundamentos que sustentaram essa escalada e alertam para os riscos de concentração de oferta de animais no encerramento de 2024.
Comportamento em bloco e o 'buraco' na oferta
Durante análise no programa Pecuária & Mercado, Junqueira avaliou que o principal propulsor da alta recente foi a escassez de animais prontos para o abate entre setembro e início de outubro. Segundo o analista, esse vácuo produtivo resultou de decisões tomadas meses atrás, quando havia um forte pessimismo em relação à continuidade das compras pela China.
"O pecuarista toma as ações dele em bloco. Há quatro, cinco meses, a gente vinha com o medo da China sair do mercado. Era quase que uma certeza absoluta de que a China sairia e que o preço iria cair de forma drástica", pontuou Junqueira. Diante dessa perspectiva, muitos produtores evitaram programar animais para a janela de setembro e outubro, o que culminou em um choque de oferta e disparada nos preços, mesmo com a demanda chinesa ainda em processo gradual de retomada.
Se por um lado a baixa oferta impulsionou os preços da arroba a partir da segunda quinzena de agosto , o mesmo movimento coordenado de produtores pode trazer pressão contrária nos meses de novembro e dezembro. A expectativa de preços elevados e o retorno do apetite externo podem levar a uma concentração de ofertas de animais terminados no confinamento e semiconfinamento na reta final do ano.
Gestão de risco como estratégia indispensável
Para mitigar a volatilidade e proteger as margens operacionais diante de custos elevados e juros altos, a recomendação central é a utilização de ferramentas de hedge na B3, como as opções de venda (puts), que garantem um preço mínimo sem retirar a oportunidade de ganhos caso o mercado continue subindo.
"A palavra da vez que tem que ficar aqui para todos é gestão de risco: aproveitar os preços, comprar os mercados de preço mínimo, as puts de preço mínimo", reforçou o especialista. Como exemplo prático, Junqueira citou travas com piso de R$ 380,00 por arroba para contratos de novembro e dezembro, com custos entre R$ 3,40 e R$ 5,76 por arroba. "É igual a um seguro de carro. Se o boi subir, vamos embora junto com ele; se cair, o produtor garante a sobrevivência e a rentabilidade do negócio."
* Com auxílio de IA