Entenda os fatores que podem impactar os preços da arroba nos próximos meses

Publicado em 14/10/2026 13:52
Gestão de cotas pelas indústrias na exportação para a China, real valorizado e o endividamento da população estão entre os pontos de atenção para a formação de preços da arroba
Fernando Henrique Iglesias - Analista da Safras & Mercado
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Entenda os fatores que podem impactar os preços da arroba nos próximos meses

 

O mercado do boi gordo atravessa um momento de transição entre o ritmo aquecido de valorização das últimas semanas e uma postura de maior cautela nos contratos futuros negociados na B3. Enquanto a cotação física da arroba segue firme nas principais praças do país, fatores como câmbio valorizado, poder de compra doméstico limitado e indefinições sobre cotas de exportação para a China acendem o sinal de alerta para a gestão de risco. Paralelamente, na ponta da produção, a estação de monta ganha relevância com o uso de genética taurina adaptada para maximizar a rentabilidade na cria.

Arroba entre a acomodação na B3 e a firmeza no físico

Na bolsa brasileira, os contratos futuros de boi gordo — com destaque para novembro e dezembro — apresentaram desaceleração após testarem patamares próximos de R$ 400 por arroba. Já no mercado físico, a liquidez segue sustentada em patamares elevados, com negócios pontuais registrados ao redor de R$ 390/@ em São Paulo e movimento de reajustes positivos em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Pará.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as indústrias operam com escalas de abate na média nacional entre 5 e 6 dias úteis, mantendo apetite de compra ativo, mas com ritmo mais cadenciado após o feriado prolongado. Ele pondera que o pecuarista precisa monitorar limitadores econômicos que impedem altas descontroladas nos preços.

Gargalos de exportação e gestão de cotas com a China

Um dos pontos cruciais discutidos por Iglesias envolve os embarques para o mercado chinês. A discussão setorial sobre uma possível gestão escalonada de cotas de exportação visa evitar a concentração excessiva de volume no último bimestre e prevenir um vácuo comercial no primeiro semestre do próximo ciclo.

“Sem gestão de cota, é possível que chegue a um volume mensal de exportação só para a China de 200 mil toneladas, somando 400 mil toneladas saindo de carne do Brasil no último bimestre. O bônus dessa agressividade chinesa deixa o mercado mais firme no final do ano, mas o ônus é o efeito rebote lá na frente com novo esgotamento precoce da cota e vazio de exportação”, alertou o analista.

Outro fator limitante é a dinâmica cambial: com a valorização do real frente ao dólar, a arroba brasileira ultrapassou US$ 75, reduzindo a competitividade frente a outros exportadores e pressionando a margem da indústria. Diante desse cenário dinâmico, a recomendação para o produtor é proteger suas margens por meio de travas e ferramentas de hedge no mercado futuro.

Potencial das raças: touros Senepol impulsionam a estação de monta

No quadro “Potencial das Raças”, o vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), Wanderley Zucoloto, detalhou o papel dos reprodutores Senepol no cruzamento industrial a campo. Sendo um taurino adaptado ao calor, o animal realiza cobertura direta em pasto mesmo sob altas temperaturas no Norte e Centro-Oeste.

“O Senepol faz a heterose a campo, não sofre com calor e produz bezerros que desmamam de 10 a 15 kg mais pesados por causa do choque de sangue. Isso dá um ganho adicional de R$ 300 a R$ 500 por bezerro produzido. Além disso, quando o mercado remunera pela qualidade do animal na balança por quilo, o pecuarista ganha duplamente”, destacou Zucoloto.

Zucoloto também enfatizou o desempenho das fêmeas meio-sangue (Senepol x Nelore). Com precocidade sexual apurada, docilidade, pelagem curta e ausência de chifres (caráter mocho), as novilhas podem emprenhar precocemente, produzir um bezerro pesado aos três anos e ainda seguir para o abate com cerca de 14 arrobas de carne de alto padrão gastronômico.

Cenário de custos e reposição exige estratégia

O encerramento do programa destacou as cotações de referência: o boi gordo físico fechou cotado a R$ 378,00/@ pelo Cepea e R$ 380,00/@ pela Scot Consultoria. Na reposição, o bezerro no Mato Grosso do Sul atingiu média de R$ 3.484,95 por cabeça, acumulando alta mensal de 1,13%.

Com a reposição e a dieta nutricional em alta, a eficiência na porteira e o travamento de preços tornam-se ferramentas complementares e indispensáveis para garantir a sustentabilidade econômica do pecuarista até o fechamento do ano.

* Com auxílio de IA

Fonte: Notícias Agrícolas

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