Cenário é de alta e fundamentos justificam continuidade do movimento para o boi, mas analista alerta para repasse de preços aos compradores
Cenário é de alta e fundamentos justificam continuidade do movimento para o boi, mas analista alerta para repasse de preços aos compradores
A arroba do boi gordo atingiu patamares recordes nominais no mercado físico paulista, consolidando-se ao redor de R$ 380, impulsionada pela combinação de uma oferta enxuta e da expectativa de retomada na demanda, tanto para o abastecimento doméstico quanto na exportação.
Segundo análise apresentada por César de Castro Alves, consultor de Agronegócio do Itaú BBA, o mercado do boi gordo vem de uma trajetória consistente de valorização sustentada pelo aperto na disponibilidade de animais para abate e pela reaproximação das compras destinadas à cota chinesa que entra em vigor em janeiro. Somado a isso, o período do quarto trimestre tradicionalmente dinamiza o consumo doméstico com as festividades de fim de ano.
Apesar do fôlego altista, Castro Alves ressalta que o ritmo de avanço pode encontrar limites na ponta final de consumo. "O desafio passa a ser o repasse de preços para a ponta final, tanto para a exportação quanto para o consumidor local. As proteínas concorrentes, como o frango e o suíno, ainda estão bem mais desvalorizadas em relação ao dianteiro e à carne bovina em geral", pontuou o consultor. Ele acrescentou que a taxa de câmbio também desempenha papel crucial: caso ocorra apreciação do real, a arroba brasileira em dólares encarece para os compradores internacionais, diminuindo a competitividade e a margem para repasses agressivos pelos frigoríficos.
* Com auxílio de IA