Soja brasileira já está mais cara do que a americana e indústrias nacionais acompanham movimento

Publicado em 03/08/2026 12:32
Em Chicago, mercado segue pressionado pelo clima mais favorável nos EUA, com melhores chuvas sendo esperadas para os próximos dias, e preços se distanciando dos US$ 12 por bushel.
Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest

A soja brasileira nos principais estados produtores já se encontra mais cara do que o produto norte-americano para a China neste momento, como analisou o estrategista sênior de agricultura da Marex e diretor Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio no Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (3). Enquanto a soja do Golfo dos Estados Unidos foi negociada com prêmios perto de 300 centavos por bushel, para entrega em novembro posto China, as cotações nas principais regiões produtoras do Brasil ultrapassaram esses patamares.

O analista apontou que estados como Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná estão com a soja brasileira negociada acima disso, e que um dos destaques é o de Goiás, onde os valores atingiram a casa de 350 centavos por bushel acima dos valores praticados na Bolsa de Chicago, tornando-se uma das origens mais caras do mundo entre os grandes exportadores.  O movimento ocorreu impulsionado por uma divergência expressiva nas últimas semanas: enquanto a Bolsa de Chicago despencou entre 50 e 60 centavos por bushel, o mercado físico interno brasileiro não apenas se sustentou como subiu em diversas praças do interior, ignorando a queda externa e encarecendo ainda mais a conta.  

Essa distorção coloca forte pressão sobre as indústrias nacionais de esmagamento. Com a matéria-prima extremamente cara e os preços de farelo e óleo descolados dessa alta, as margens operacionais em polos estratégicos como Mato Grosso e Goiás estão bastante pressionadas. Diante desse cenário de custos elevados e perda de competitividade frente à safra norte-americana, o mercado segue monitorando os próximos leilões chineses e o ritmo de compras da nação asiática, que passa a abrir espaço para o início dos embarques dos Estados Unidos em setembro. Para o setor industrial brasileiro, o momento exige cautela redobrada na gestão de estoques e na programação de esmagamento para o restante do ano.

Veja a análise de Eduardo Vanin completa no vídeo acima.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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