Preços no mercado de suínos estão perto do teto, mas até o fim do ano pode haver altas a conta-gotas, diz presidente da ABCS

Publicado em 23/09/2020 15:11 e atualizado em 23/09/2020 16:14
Lacuna deixada pela Alemanha nas exportações de carne suína devido a casos de Peste Suína Africana ainda pode mexer com os preços no mercado brasileiro
Marcelo Lopes - Presidente ABCS

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Entrevista com Marcelo Lopes - Presidente ABCS sobre o Mercado do Suínos

 

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Fatores como exportações aquecidas e atrativas devido ao câmbio, alto preço da arroba do boi e demanda interna forte, com previsão de aumentar com a flexibilização das medidas de restrição por causa da pandemia da Covid-19, puxaram os preços no emrcado de suínos para cima. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, os atuais patamares de preços (recordes nominais em alguns Estados) já estão muito perto do limite aceito pelo varejo e pela população.

Apesar dessa proximidade com o teto "aceitável" no mercado doméstico em recessão e amparado pelo auxílio emergencial do Governo Federal de R$ 300 mensais, Lopes afirma que até o final do ano o mercado deve seguir com valores sustentados e com viés de alta, ainda que em conta-gotas. 

"A demanda interna está se fortalecendo e é muito importante, já que 80% da produção de carne suína fica no Brasil. Mas é possível que haja ainda um leve aumento mais para o final do ano por causa das festividades e também por causa dos países que suspenderam as importações de carne suína da Alemanha", disse. 

Desde o dia 10 de setembro até agora, 29 casos de Peste Suína Africana (PSA) foram detectados em javalis selvagens na Alemanha, e por causa disso, países como China, Coreia do Sul, Argentina e Brasil pararam temporariamente de comprar produtos in natura ou processados de carne suína do país europeu.

"É possível que grandes players da Europa, como Espanha e França sejam mais demandados, mas Brasil, Estados Unidos e Canadá também serão, porque o gap de proteína animal da China é muito grande. Isso pode mexer com os preços aqui no mercado interno, porque está muito atrativo exportar por causa do câmbio", afirmou.

A forte demanda externa tem feito com que muitos suinocultores estejakm comercializando animais mais leves para abate, mas de acordo com o presidente da ABCS, isso não causa o risco de desabastecimento ou escassez de carne suína.

"A suinocultura brasileira vem crescendo entre 4% a 5% anualmente, então mesmo com esse final de ano com demanda interna forte e externa ainda mais, não corremos o risto de faltar animais", explicou. 

 

Por: Letícia Guimarães
Fonte: Notícias Agrícolas

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