Sem chuvas em abril, milho safrinha tem quebra de até 80% na região de Balsas (MA)

Publicado em 29/06/2018 11:36
Produtores acionam seguro na região e negociam com as empresas contratos que foram fixados antecipadamente. Saca é cotada entre R$ 32,00 e R$ 35,00 na localidade. Tabelamento do frete trava negócios e escoamento da soja. Com isso, alguns produtores não terão como pagar parcela do custeio. Atraso na entrega dos fertilizantes também preocupa agricultores.
Valério Mattei - Produtor Rural de Balsas - MA

Na região de Balsas (MA), os produtores rurais já realizam a colheita do milho safrinha. A falta de chuvas registrada em abril antecipou os trabalhos nos campos e resultou em uma perda de mais de 80% na produção. O adverso também afetou a produção do cereal em outras regiões do Matopiba.

De acordo com o produtor rural do município, Valério Mattei, muitos agricultores têm acionado o seguro, já que as em algumas propriedades os prejuízos chegam a 100%. "As vistorias estão sendo realizadas nesse momento, porém, o prejuízo ainda ficará aos produtores, uma vez que o seguro só irá amenizar essa perda", pondera o produtor.

Além das perdas nos campos, os produtores estão preocupados com os contratos fixados antecipadamente para a safrinha. "Temos contratos para exportação que terão que ser renegociados. E não sabemos o que será feito, se conseguiremos jogar essa dívida para o próximo ano, não tem nada acertado", completa Mattei.

Apesar da perda expressiva na produção, os preços da saca do cereal não apresentaram oscilações expressivas. Atualmente, a saca de milho é negociada entre R$ 32,00 a R$ 35,00. E o pouco milho disponível não tem padrão para exportação, os grãos não têm peso e apresentam qualidade ruim.

Tabelamento do frete

O impasse em relação ao tabelamento do frete também tem travado os negócios na região. Muitos produtores que venderam a soja para receber em 30 de maio, 30 de junho e 30 de julho, justamente para cobrir as parcelas do custeio, ainda não receberam.

"As empresas não conseguem escoar a soja, já que não conseguem locar caminhões de terceiros, só frota própria, o que está atrasando a entrega do produto nos portos. E não temos conseguido realizar negócios no balcão", explica o produtor rural.

Outro fator que tem deixado os produtores apreensivos é o atraso na entrega dos fertilizantes. Além da recente alta cambial, a logística pode comprometer o recebimento dos produtos nas propriedades. "O fertilizante pode não chegar a tempo para a safra de verão", destaca Mattei.

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Milho tenta recuperação após tombo com estoques dos EUA; B3 fecha em alta
Milho volta a cair em Chicago nesta 5ª feira e perde os US$ 5/bu; B3 reduz perdas
Mercado vira após o USDA, milho despenca em Chicago, testa mínimas desde agosto e perde quase 7% em setembro
USDA surpreende com estoques e milho despenca mais de 20 pontos em Chicago nesta 4ª feira
Atraso na colheita do milho dá suporte para altas das cotações de Chicago nesta quarta-feira
Com um olho no dólar e outro no plantio, B3 fecha a terça-feira com estabilidade para os futuros do milho