2025 teve alta produção de milho, mas obstáculos para a comercialização
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Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, fez um balanço de 2025 para o milho no Brasil, ano marcado por uma produção robusta, acima de 140 milhões de toneladas, impulsionada pelo aumento de área e por condições climáticas favoráveis. Segundo ele, o desempenho confirma a consolidação do país como uma potência global na produção do cereal, embora as margens tenham sido apertadas em diversas regiões, com cenário desafiador de custos e rentabilidade.
Bertolini destacou que os principais entraves do setor seguem concentrados na logística e na armazenagem. O déficit estrutural de capacidade estática, que já ultrapassa 120 milhões de toneladas, aliado a rodovias precárias, gargalos ferroviários e limitações nos portos, pressiona os custos e dificulta a comercialização, especialmente em um país que precisa destinar entre 40 e 50 milhões de toneladas de milho ao mercado externo.
Por outro lado, o presidente da Abramilho ressaltou avanços importantes, como a expansão do etanol de milho, que tem ampliado a demanda interna e levado liquidez a regiões antes marginais para a cultura. Atualmente, mais de 30 projetos de usinas estão em andamento, com expectativa de elevar o consumo interno para cerca de 100 milhões de toneladas nos próximos anos, agregando valor à produção e reduzindo a dependência das exportações.
Bertolini também destacou o potencial social, ambiental e produtivo do milho, citando programas como o Prospera, no Nordeste, que têm promovido ganhos expressivos de produtividade, renda e inclusão social. Segundo ele, o milho se consolida como uma cultura estratégica não apenas do ponto de vista econômico, mas também como ferramenta de segurança alimentar e desenvolvimento regional.
Ao olhar para 2026, o presidente da Abramilho avaliou que o cenário segue positivo, embora com riscos associados ao clima, à redução de investimentos, ao atraso no plantio da soja e às dificuldades de crédito. Ele alertou ainda para a necessidade de avanços em seguro agrícola, infraestrutura e segurança jurídica, pontos considerados fundamentais para manter o ritmo de crescimento do milho e do sorgo no Brasil
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