Exportações brasileiras de milho contidas limitam melhora nos preços do grão; demanda interna segue forte'

Publicado em 25/09/2026 11:58
Produtor precisa ter atenção ao escalonar as vendas, evitando acumular volumes maiores do cereal, com preços podendo ser ainda mais pressionados.
Roberto Carlos Rafael - Germinar Corretora
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Exportações brasileiras de milho contidas limitam melhora nos preços do grão; demanda interna segue forte'


 

O mercado de grãos encerrou mais uma semana marcada por forte volatilidade nas cotações globais e domésticas. No segmento do milho, os preços registraram movimento de desvalorização tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto na B3. A movimentação reflete uma combinação de fatores geopolíticos, o ritmo dos trabalhos de colheita no exterior e a baixa atratividade dos preços praticados para exportação nos portos brasileiros.

Cenário externo e pressão em Chicago

Na Bolsa de Chicago, as oscilações foram influenciadas pelo cenário internacional e por desdobramentos diplomáticos recentes. Segundo Roberto Carlos Rafael, diretor da Germinar Corretora, as declarações políticas entre Estados Unidos e China não trouxeram novos estímulos imediatos para o escoamento de grãos norte-americanos. Além disso, a instabilidade nos preços do petróleo e o risco geopolítico contínuo no Leste Europeu adicionam cautela às negociações.

"A guerra da Ucrânia e da Rússia, para o milho, tem tido mais impacto. Tem um prêmio de risco que vem crescendo por conta das dúvidas que se têm sobre as exportações ucranianas e russas", explicou o especialista. Outro ponto relevante é o andamento da colheita norte-americana, que atingiu cerca de 13% da área nos últimos levantamentos oficiais. Com a maior parte dos trabalhos ainda pela frente, os rendimentos finais das lavouras dos Estados Unidos permanecem como uma variável em aberto que poderá alterar os estoques finais no relatório do USDA.

Exportações brasileiras e demanda interna

No Brasil, o ritmo dos embarques externos tem sido considerado lento para garantir o escoamento dos excedentes previstos. Até o fechamento de setembro, o volume acumulado de exportações no ano-safra somava cerca de 15 milhões de toneladas. Para alcançar projeções de mercado em torno de 40 milhões de toneladas, seria necessário embarcar uma média entre 6,2 e 6,5 milhões de toneladas mensais de outubro a janeiro.

Contudo, a remuneração das tradings não tem atraído os agricultores. Os valores nos portos, que chegaram a superar R$ 74 a saca em momentos anteriores, recuaram para a faixa de R$ 70 a R$ 71. "A ausência do produtor na exportação é que o preço lá na exportação, para o produtor, não tem interesse. Em algumas regiões, esses níveis de 70 reais deixam uma margem muito pequena de ganho", destacou Rafael. Como o produtor priorizou a comercialização de soja para fazer caixa, ele tem retido os volumes de milho à espera de oportunidades melhores.

Consumo industrial e papel da B3

Com a retração dos vendedores para as tradings exportadoras, o mercado interno tem sido o principal suporte de sustentação das cotações. Destaca-se a demanda crescente do setor de etanol de milho, que vem antecipando compras para formar estoques operacionais até o início de 2024 e já representa fatia expressiva do consumo doméstico.

Na B3, após um ciclo de valorização puxado pela especulação e descolado do mercado físico, as cotações devolveram parte dos ganhos acumulados, voltando a orbitar patamares mais ajustados à realidade das bases de comercialização interna, como a referência de Campinas.

Gestão de risco e perspectivas

Diante das incertezas cambiais, fiscais e climáticas que ainda cercam a formação dos preços, a recomendação para o produtor rural continua sendo o foco no gerenciamento de margens e riscos de mercado.

"Ele não é apenas um produtor de produto agrícola; ele, na verdade, é um gestor de risco. Ele é quem tem todos os riscos na produção: climática, preço, geopolítica. Há uma necessidade de uma gestão de risco melhor", finalizou o analista.

* Com auxílio de IA

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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