Brasil perde competitividade nas exportações de milho e preços internos sentem pressão
Brasil perde competitividade nas exportações de milho e preços internos sentem pressão
O mercado brasileiro de milho segue pressionado neste início de outubro diante da perda de competitividade das exportações brasileiras e da maior presença de concorrentes como Argentina e Estados Unidos no mercado internacional.
Segundo Yeda Monteiro, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, o aumento dos estoques norte-americanos apontado pelo USDA no final de setembro reforçou a pressão sobre as cotações internacionais, enquanto Argentina e Estados Unidos ampliam sua competitividade nas exportações. Com menos espaço para o milho brasileiro no exterior, a pressão também chega aos preços negociados no mercado doméstico.
A analista avalia que o Brasil deverá exportar menos milho nesta temporada do que em 2025 e destaca que ainda há dúvidas sobre a possibilidade de os embarques alcançarem 40 milhões de toneladas. Além da concorrência internacional, pesa a redução das compras do Irã, importante destino do cereal brasileiro no ciclo anterior. Outros mercados, como Sudeste Asiático, Japão, Coreia do Sul e União Europeia, seguem comprando, mas apresentam maior pulverização e tendem a buscar a origem mais competitiva.
No mercado interno, a demanda permanece elevada, sustentada principalmente pelas cadeias de proteína animal e pela expansão da indústria de etanol de milho. Ainda assim, Yeda espera estoques maiores diante da produção mais elevada e das exportações menores. A pressão externa, somada à queda do dólar, também limita as cotações na B3 e aumenta a pressão sobre os preços recebidos pelos produtores.
Neste cenário, os produtores permanecem mais retraídos nas negociações, enquanto compradores aproveitam pontualmente as quedas para avançar nas aquisições. Com o foco também direcionado ao plantio da soja, a tendência é de comercialização mais lenta e tentativa de carregamento de parte do milho até o final do ano ou início de 2027.
A valorização do real, por outro lado, pode abrir oportunidades para o produtor no lado dos custos. Yeda destaca que a queda do dólar, embora pressione a receita das commodities, pode favorecer momentos de fixação de insumos dolarizados e deve ser considerada nas estratégias de comercialização e planejamento da próxima safra.