Paraná inicia plantio da soja 2026/27 com expectativa de alta produção, mas alerta para o clima
Paraná inicia plantio da soja 2026/27 com expectativa de alta produção, mas alerta para o clima
O plantio da safra 2026/27 de soja começou de forma pontual no Paraná, principalmente nas regiões Oeste e Norte do estado, onde o vazio sanitário já foi encerrado. As condições de umidade são consideradas favoráveis neste início dos trabalhos, enquanto o Deral projeta uma produção superior à registrada na temporada passada caso o desenvolvimento das lavouras ocorra dentro da normalidade.
Segundo Edmar Gervásio, analista do Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná deve cultivar quase 5,8 milhões de hectares de soja neste ciclo e pode superar 22 milhões de toneladas em uma safra cheia. Em 2025/26, a produção estadual ficou em cerca de 21,7 milhões de toneladas.
Neste primeiro momento, a semeadura está concentrada principalmente no Oeste, Norte e Noroeste. Outras regiões passam a ter o plantio liberado ao longo de setembro, com o Sul do estado, que concentra mais de 1,6 milhão de hectares de soja, entrando mais fortemente nos trabalhos a partir da segunda quinzena do mês.
“As condições de plantio são bastante favoráveis”, destacou Gervásio. Segundo ele, apesar de chuvas irregulares e, em alguns pontos, mais intensas, as áreas que já estão liberadas vêm encontrando boa umidade para a implantação das lavouras. Pequenas janelas de tempo seco devem permitir o avanço das máquinas entre os episódios de chuva.
Se neste início a água ajuda a garantir boas condições para a semeadura, o excesso de precipitações pode se transformar em um ponto de atenção mais adiante. O cenário climático acompanhado pelo Deral indica possibilidade de chuvas acima da média no Sul do Brasil durante o ciclo, associadas ao El Niño.
Gervásio ressalta que, caso esse cenário se confirme, volumes elevados e períodos prolongados de chuva podem dificultar os tratamentos fitossanitários e aumentar a pressão de pragas e doenças durante o desenvolvimento das lavouras. Mais à frente, especialmente a partir de janeiro, a falta de janelas de tempo seco também poderia trazer dificuldades para a colheita e afetar produtividade e qualidade dos grãos.
Por enquanto, porém, o analista reforça que esses riscos permanecem no campo das projeções e que o plantio avança dentro de uma condição considerada normal no estado.
Além da soja, o Paraná já tem mais de um terço da área prevista com milho de primeira safra implantada. O Deral estima cerca de 373 mil hectares para a cultura, área ligeiramente superior à do ciclo anterior. Nos últimos dias, o ritmo de plantio do cereal diminuiu em algumas regiões porque produtores aproveitaram uma janela de tempo seco para avançar na colheita do trigo, além das chuvas mais recentes.
Mesmo assim, Gervásio avalia que o calendário segue dentro do zoneamento agrícola e, neste momento, não há indicação de comprometimento da futura janela de plantio do milho segunda safra.
Na comercialização da soja, o cenário também aparece mais favorável do que há um ano. Segundo o analista, os preços estão cerca de 15% acima dos registrados em setembro de 2025, abrindo oportunidades para produtores que pretendem antecipar parte das vendas e reduzir a exposição aos riscos de preço e de produção ao longo da temporada.