Sem chuvas há 15 dias, lavouras de soja apresentam perdas em Minas Gerais
Após o excesso de chuvas no início do plantio, as lavouras de soja da safra 2017/18 sofrem com a estiagem e as altas temperaturas em Minas Gerais. Grande parte das plantações está em fase de enchimento de grãos e a expectativa já é de uma produtividade menor nesta temporada.
Segundo ressalta o presidente da Aprosoja Minas Gerais, Wesley Barbosa de Freitas, algumas áreas já registram quebra consolidada, mas ainda não é possível quantificar os prejuízos. "No início nós tivemos problemas com lixiviação de insumos devido às chuvas e agora temos 15 dias sem precipitações e com altas temperaturas. Não conseguimos nem realizar as pulverizações durante o dia", completa.
No ano anterior, a região de Capinópolis registrou rendimento médio de 65 sacas do grão por hectare. Além disso, a colheita da soja deverá ocorrer mais tarde devido ao atraso registrado no início do plantio. Com isso, os trabalhos nos campos deverão se concentrar a partir do dia 10 de fevereiro.
Queda das vagens
Assim como em outras regiões do país, a localidade de Tupaciguara, no estado, também registrou problemas com a queda de vagens nas lavouras de soja. "Mas foi uma situação pontual. Diante do excesso de chuvas houve o encharcamento do solo e as plantas não conseguiram respirar. Com isso, como uma defesa, as plantas abortaram as vagens", explica a liderança.
Comercialização
Os produtores também ficaram mais cautelosos em relação aos negócios antecipados para essa temporada. No ano passado, algumas fixações foram feitas com a saca da soja entre R$ 70,00 até R$ 72,00. Atualmente, a referência para a saca da soja em Uberlândia está próxima de R$ 65,00.
"Esse é um valor que não cobre os custos de produção e descontando tudo, o produtor acaba recebendo R$ 62,00 a saca. Estamos preocupados, pois não é só produzir, também precisamos de preço para negociar o produto", destaca Freitas.
Safrinha de milho
Com o atraso no plantio da soja e o comprometimento da janela ideal de cultivo, a perspectiva é de redução na área destinada ao milho na segunda safra no estado. Inclusive, a liderança informa que os produtores podem migrar para a cultura do sorgo.
"E como temos um custo elevado com as sementes, alguns produtores podem optar por utilizar sementes de paiol. Vamos colher menos, mas o custo será menor também", pondera a liderança.