Aplicação de calagem é uma operação complexa que pode alterar a disponibilidade de nutrientes e a biologia do solo

Publicado em 18/12/2018 13:15
Consultor explica os cuidados que precisam ser tomados para aplicação do calcário , operação considerada até mais importante que a própria adubação
Áureo Lantmann - Consultor Técnico

Podcast

Calagem - Áureo Lantmann - Consultor Técnico

 

Download
 

A aplicação de calagem é muito complexa já que altera a disponibilidade de nutrientes e a biologia do solo. No entanto, a prática da operação é utilizada para eliminar o alumínio que não favorece a nutrição da planta, sendo que o excesso desse elemento compromete o sistema radicular.  

Segundo o Consultor Técnico, Áureo Lantmann, os princípios químicos da calagem são muito complexos que podem até alterar o solo. “É de uma grande complexidade em que a calagem vai modificar o PH do solo e acrescentar mais cálcio e magnésio. Quando muda o ph acaba alterando a disponibilidade de nutrientes pode ser maior ou menor” afirma.

Além de tudo, a calagem também muda a atividade microbiana do solo que é muito importante na liberação de nitrogênio, e no caso da soja, para a fixação biológica. “É uma operação grosseira de extrema complexidade, na medida em que colocar mais ou menos calcário pode ter uma reação com efeito positivo e também pode ter reação negativa para a cultura a ser implantada”, explica.

Caso a calagem não for bem executada pode induzir em uma deficiência de alguns nutrientes. “O efeito da adubação depende do ph do solo e da oferta de cálcio, magnésio e outros para que os nutrientes colocados venham a ser mais bem aproveitado”, comenta.

Após a implantação do plantio direto, a calagem é feita em uma quantidade menor e de forma superficial. “Todo o trabalho de pesquisa que foi feita e concluiu que as situações de plantio direto bem conduzido precisa colocar o terço da dose recomendada para o plantio convencional”, destaca.

O tipo de solo deve ser avaliado quando for fazer a calagem, tendo em vista que a quantidade de calcário deve ser menor em solos de textura arenosa. “É comum em grandes propriedades ter uma variação do solo, em uma parte ser mais argilosa e em alguns pontos ser mais arenoso”, diz.

Em relação aos períodos que devem ser realizadas a calagem, o consultor ressalta que é necessário ter um acompanhamento da análise do solo para definir uma nova aplicação. “Durante os anos que eu andei pelo o Brasil, eu observei uma série de critérios não técnicos em que a calagem é feita a cada dois anos ou a cada três anos. Porém, isso é feito sem uma argumentação técnica”, pontua.

Em muitos casos, o solo não necessita de uma nova aplicação de calagem já que com o plantio direto pode durar até cinco anos. “Por isso, é importante ter um acompanhamento da análise do solo já que através dela será possível dimensionar a quantidade de calcário que a área precisa”, salienta.

Em solos do cerrado, é preciso jogar o enxofre para realizar a calagem. “Esse enxofre é dimensionado para cada tipo de solo que vai ser capaz de levar o cálcio a profundidades maiores e fazer o sistema radicular se desenvolver melhor”, comenta.

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja deve voltar a subir no 2º semestre com ameaça do El Niño sobre safra do Brasil, afirma analista
Soja opera com estabilidade em Chicago nesta 6ª feira, mas testando os dois lados da tabela
Preços da soja ampliam perdas em Chicago nesta 6ª feira, após relatório do USDA e clima nos EUA
Trump, USDA, El Niño: Soja tem 5ª feira cheia, recuando na Bolsa de Chicago e no Brasil
Soja fecha em queda nesta 5ª feira com pressão do Oriente Médio e de olho no novo USDA
Aprosoja MT reforça os cuidados durante o Vazio Sanitário da soja