"Mundo não tem estoque de soja e momento não é o melhor para vendas no Brasil", diz Severo

Publicado em 06/05/2020 14:36 e atualizado em 06/05/2020 18:53
Preços tendem a ser ainda melhores no segundo semestre, como explica o diretor do SIMConsult. Os prêmios deverão se fortalecer ao longo dos próximos meses, estendendo movimento até 2021 diante de uma oferta ajustada - a safra 2019/20 teve a maior perda dos últimos anos em números absolutos - e da demanda pujante.
Liones Severo - Diretor do SIMConsult

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Entrevista com Liones Severo - Diretor do SIMConsult sobre o Mercado da Soja

 

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A safra 2019/20 de soja foi a que mais perdeu, em números absolutos, nos últimos anos, por conta de adversidades climáticas. Somente nos EUA, a quebra da produção foi de 25 milhões de toneladas. No Brasil, a situação mais grave foi no Rio Grande do Sul, onde as perdas estimadas chegam a até 10 milhões de toneladas. 

Assim, o último número do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a produção mundial de 341 milhões de toneladas não deverá ser alcançado, como explica Liones Severo, diretor do SIMConsult. O mesmo pode ser considerado para os estoques finais globais estimados pelo USDA em 102 milhões de toneladas. 

"Esse número deverá ser, na verdade, de 19 milhões de toneladas, com 11 milhões estando nos EUA. Assim, nós não temos soja sobrando no mundo, pelo contrário", diz Severo. O mundo, segundo o especialista, está sem estoque de soja e os preços tendem, inevitavelmente, a subir. 

Enquanto isso, a demanda permanece firme. "E temos o privilégio da China ser o maior comprador". Como explica Severo, a recomposição dos planteis de suínos da nação asiática - por conta da Peste Suína Africana - segue muito forte, além da produção forte de aves, com a segurança alimentar sendo item de primeira importância no país. 

Da mesma forma, a importação de carnes deverá também seguir muito forte, com o Brasil sendo um dos principais fornecedores de soja. E isso se traduz, instantaneamente, em maior uso da oleaginosa internamente para atender o setor de rações. 

E o consultor assegura que "se o Brasil produzir mais soja, vai vender mais soja". Sua estimativa é de que a China importe 96 milhões de toneladas em 2020 e, em 2021, algo entre 106 e 107 milhões. 

PREÇOS PARA O PRODUTOR BRASILEIRO

Liones Severo explica ainda que um dos maiores fatores de pressão sobre os preços da soja na Bolsa de Chicago foi a intensa desvalorização da moeda brasileira frente à americana. O dólar alto provocou uma concentração e um grande volume de vendas da safra atual - diante dos bons preços da commodity em reais por saca - e pesou sobre o mercado internacional. Para o consultor, não fosse a questão cambial as referência para a oleaginosa em dólares por bushel estariam bem mais elevados. 

Da mesma forma, as vendas antecipadas tão aceleradas como estão para a safra 2020/21 carrega uma situação semelhante, com os produtores "perdendo" preço, segundo o diretor do SIMConsult, e oportunidades que os prêmios mais altos, a demanda intensa e a melhor qualidade da soja nacional que poderiam surgir. 

"Toda desvalorização cambial traz uma reação igual e contrária com o preço de Chicago. A nossa troca quando vem barata ela derruba o preço da safra velha, da safra nova e dos prêmios para nós. Se todo mundo quer nosso produto, por que temos que vender mais barato? Isso não é competitividade", explica. "Nossa soja é a única na prateleira, se não vendermos, eles vêm comprar". 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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