China retoma compras dos EUA e impulsiona Chicago; soja brasileira segue competitiva

Publicado em 05/11/2025 17:18
Segundo Flávio França, da Datagro Consultoria, acordo comercial anunciado entre China e Estados Unidos reaquece o mercado internacional de grãos, mas a soja brasileira continua vantajosa diante da alta nos preços norte-americanos.
Flávio França Jr. - Chefe do Setor de Grãos da Datagro Consultoria
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China retoma compras dos EUA e impulsiona Chicago; soja brasileira segue competitiva

O anúncio de um novo acordo comercial entre China e Estados Unidos trouxe reação imediata nas cotações dos grãos na Bolsa de Chicago. A avaliação é de Flávio França Júnior, chefe do setor de grãos da Datagro Consultoria, que destaca o movimento de alta observado nas últimas semanas diante do avanço das negociações entre os dois países.

Segundo o analista, a expectativa de que a China volte a comprar soja, milho, trigo e algodão dos norte-americanos elevou o sentimento positivo no mercado. “A decisão da China de reduzir as alíquotas de importação, eliminando tarifas para milho e trigo e mantendo a soja em 13%, reforça a perspectiva de que o país asiático voltará a adquirir produtos dos Estados Unidos”, explica França.

O acordo prevê compras de 12 a 15 milhões de toneladas de soja no curto prazo e mais 25 milhões de toneladas nos próximos anos comerciais. Para o especialista, isso já vinha sendo precificado aos poucos, com o mercado reagindo conforme surgiam novas informações sobre as tratativas. “Não foi uma surpresa, mas a confirmação do acordo consolida o cenário de recuperação dos preços em Chicago”, afirma.

Apesar disso, França lembra que a soja brasileira segue competitiva. Com a valorização da commodity nos EUA, os prêmios de exportação no Brasil caíram, deixando o produto nacional mais barato e mantendo o fluxo de vendas. “A China retomou negociações com os Estados Unidos, mas continua comprando do Brasil, especialmente porque nossos prêmios recuaram e a soja brasileira ainda é mais atrativa”, pontua.

O analista observa também que o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o próximo dia 14, deve ganhar relevância extra após o período de suspensão das divulgações oficiais nos Estados Unidos. “Estamos num momento de incerteza, sem dados sobre exportações e colheita. O relatório deve trazer mais clareza e tende a ser positivo para os preços, já que o mercado aposta em uma possível revisão para baixo na safra americana de soja e milho”, analisa.

No Brasil, a safra 2024/25 avança, mas com atrasos no plantio em relação à média histórica, especialmente em Goiás e na região do Matopiba, onde as chuvas demoraram a se regularizar. O índice nacional de semeadura está em 46,5% da área esperada, contra 54,2% no mesmo período do ano passado. “Esse atraso pode implicar alguma perda de potencial produtivo e até limitar o plantio do milho de inverno em algumas regiões”, explica França.

Mesmo assim, a Datagro mantém projeção de uma safra cheia, próxima de 183 milhões de toneladas de soja, com destaque para aumentos de área em praticamente todos os estados, exceto o Rio Grande do Sul — onde dificuldades de crédito e sucessivas perdas reduziram a intenção de plantio.

Em relação aos prêmios da soja, França destaca que o recente derretimento representa apenas uma “volta à normalidade” após meses de valorização anormal. “Com o acordo, os prêmios estão retornando a níveis mais típicos, entre 60 e 80 centavos de dólar para a safra velha, e levemente negativos para a safra nova, o que é esperado”, diz.

No câmbio, o analista avalia que o dólar deve seguir volátil, pressionado por fatores externos e domésticos. “A expectativa de fortalecimento da economia americana sustenta o dólar no curto prazo, enquanto no Brasil o desequilíbrio fiscal segue sem solução. Não há espaço para quedas significativas na taxa de câmbio”, conclui.

O mercado, portanto, vive um momento de transição. A confirmação das compras chinesas dos EUA dá suporte às cotações em Chicago, mas o Brasil segue competitivo e deve continuar com papel relevante no comércio global de soja.

Por: Andressa Simão | instagram @apautadodia
Fonte: Notícias Agrícolas

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