Demanda por açúcar aquece e Nova Ioque consolida cotações acima de 18 cents
Demanda por açúcar aquece e Nova Ioque consolida cotações acima de 18 cents
A reta final da safra de cana-de-açúcar traz um cenário de recuperação nos preços internacionais do açúcar, revertendo o ambiente desfavorável observado no início do ano. Se no começo do ciclo as cotações oscilavam entre 12 e 14 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, a aproximação do encerramento das atividades de colheita entre outubro e novembro registra patamares próximos de 18 a 19 centavos de dólar por libra-peso. As perspectivas para o setor e o reflexo desse movimento foram detalhados por João Baggio em entrevista ao Notícias Agrícolas.
Fatores climáticos globais e o papel do Brasil
A valorização recente no mercado externo decorre de problemas de oferta em importantes polos produtores. Segundo Baggio, dificuldades climáticas comprometeram a safra de beterraba na Europa devido ao calor excessivo, enquanto a Tailândia enfrentou adversidades climáticas e concorrência de área com a mandioca, registrando recuo de 12% a 15% na produção. Além disso, a Índia, tradicional exportadora, passou à condição de importadora de açúcar.
Com isso, a demanda mundial voltou os olhos para o Brasil. De acordo com Baggio, o mercado internacional reflete essa escassez com contratos superando 500 dólares a tonelada para o açúcar branco em Londres e atingindo até 19 centavos de dólar em Nova York, além de reflexos positivos nos preços do mercado interno.
Chuvas e impactos na produção: açúcar versus etanol
Embora o açúcar remunere cerca de 20% a mais que o etanol no momento, o regime de chuvas registrado a partir do final de setembro alterou o ritmo da moagem. O excesso de umidade deixa a cana mais aguada e reduz a concentração de Açúcar Total Recuperável (ATR), favorecendo tecnicamente a produção de etanol em detrimento do açúcar refinado.
"Se a chuva que voltou essa semana persistir, talvez até aumente essa cana bisada, que está na faixa de 30 a 35 milhões de toneladas", destacou Baggio. Ele apontou ainda que algumas usinas já planejam estender as operações de moagem até janeiro para processar a cana remanescente antes de retomar a colheita mais cedo no próximo ciclo.
Perspectivas para o ATR e rentabilidade do produtor
O ciclo atual foi marcado por margens apertadas e perdas aos fornecedores e arrendatários, com estudos apontando prejuízos médios na faixa de R$ 2,5 mil por hectare devido aos baixos valores do ATR ao longo de grande parte da temporada, frequentemente cotados abaixo de R$ 1,00.
Contudo, o cenário começa a demonstrar reação. Segundo João Baggio, a tendência de queda do ATR foi interrompida e já se nota uma melhora tímida. A expectativa do analista é que o ATR acumulado atinja entre R$ 1,00 e R$ 1,05 até dezembro, enquanto o índice mensal poderá alcançar patamares ainda mais elevados, impulsionado também pelo consumo recorde de etanol observado em agosto (acima de 2 bilhões de litros) e pela volatilidade do petróleo no mercado internacional.
* Com auxílio de IA