Temporais ameaçam o Sul, e Inmet emite alerta vermelho para três estados
O avanço das chuvas sobre áreas produtoras do Brasil e a intensificação do El Niño colocam o clima no centro das atenções do setor agropecuário em outubro. Depois de dias de temporais e ventos fortes no Sul, a previsão indica a chegada de chuvas mais regulares ao Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba a partir da segunda quinzena do mês. A mudança é importante para o andamento do plantio da safra de verão, especialmente nas regiões que ainda enfrentam calor intenso e falta de umidade no solo.
Nas últimas semanas, a passagem de frentes frias e a formação de ciclones provocaram chuvas intensas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. Em algumas localidades, os volumes chegaram a 80 mm a 120 mm em apenas dois dias, superando a média histórica de chuva para todo o mês de outubro.
A instabilidade também foi acompanhada por rajadas de vento acima de 100 km/h. Em Planalto (PR), os ventos chegaram a 103,7 km/h. Em Chapecó (SC), atingiram 102 km/h, enquanto Bagé (RS) registrou 100 km/h. Em Ivinhema (MS), as rajadas alcançaram 80 km/h com a aproximação de uma frente fria.
Chuva ganha força nas regiões produtoras
A previsão para os próximos dias indica que as chuvas devem avançar gradualmente para outras regiões do país. Em áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, os volumes mais expressivos são esperados a partir dos dias 14 e 15 de outubro.
A mudança no tempo também deve favorecer áreas do Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Depois de um período marcado por calor intenso e temperaturas acima de 40°C em algumas localidades, a expectativa é de retorno das chuvas a partir do dia 14, com maior possibilidade de acumulados entre os dias 16 e 20.
No oeste e sudoeste da Bahia, além do sul do Maranhão e do Piauí, os volumes podem ficar entre 30 mm e 50 mm. A volta da umidade é importante para as áreas que dependem das chuvas para avançar com o plantio da safra de verão. Ainda assim, a distribuição das precipitações será determinante para o ritmo dos trabalhos no campo.
El Niño se intensifica e exige atenção do produtor
Além da distribuição das chuvas, a intensificação do El Niño aumenta a necessidade de acompanhamento das condições climáticas ao longo da primavera. Segundo o meteorologista Francisco de Assis, as águas do Oceano Pacífico na região monitorada pelo fenômeno apresentam temperaturas até 2,69°C acima da média.
“Nos últimos 15 dias, de 25 de setembro até o início de outubro, o índice vem se comportando na faixa de 2,6°C a 2,7°C. As previsões indicam que até dezembro ele pode chegar a 3,0°C”, afirmou.
O meteorologista ressalta que a influência do El Niño pode contribuir para uma distribuição irregular das chuvas durante a primavera, o que exige atenção dos produtores no planejamento das atividades agrícolas.
“É necessário que o agricultor acompanhe bem as previsões de médio prazo, de uma semana a 15 dias, para a tomada de decisões no plantio”, orientou Assis.
* Com auxílio de IA