Secretário da Fazenda diz que Plano Safra terá volume recorde e taxação de títulos incentivados não gera prejuízos

Publicado em 18/06/2025 11:25 e atualizado em 18/06/2025 12:29

(Reuters) - O Plano Safra de 2025/2026 será robusto e não terá prejuízos com a nova tributação de 5% sobre títulos cujas captações são direcionadas ao setor do agronegócio, que passará a valer a partir do próximo ano, disse nesta quarta-feira o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan.

Em entrevista à CNN, Durigan afirmou que os títulos antes isentos do imposto de renda -- que incluem LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio) e CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) -- estão sendo mantidos como incentivados, uma vez que a taxação será mais baixa do que a incidente sobre as demais aplicações financeiras, e que a nova tributação não prejudicará o direcionamento dos recursos.

"O Plano Safra de 2025 e 2026 vai seguir crescendo, batendo seus recordes, sem ter prejuízo para o setor do agro... É um plano robusto que não tem nenhum tipo de prejuízo com medidas como essa”, afirmou.

Segundo ele, o fim da isenção desses títulos será sentido por instituições financeiras e investidores, que se apropriavam do benefício fiscal, segundo ele, não havendo nenhuma alteração no direcionamento dos recursos ao agronegócio.

O governo editou em maio um decreto com uma série de elevações de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas, diante de reação negativa, recalibrou parte do texto e apresentou uma medida provisória com outras elevações tributárias, incluindo a taxação dos títulos incentivados, e algumas ações de controle de gastos. A nova medida também tem gerado resistência.

Durigan disse que o governo recalibrou o decreto que trata da cobrança do IOF como um todo, mantendo o compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

Em meio à resistência do Congresso em relação às medidas arrecadatórias do governo, o secretário afirmou que a economia brasileira está em bom momento e a inflação está caindo, destacando que a continuidade desses movimentos depende de ações de responsabilidade fiscal.

Ele argumentou que a prioridade da Fazenda não é aumentar a arrecadação tributária, mas zerar o déficit das contas públicas, defendendo que são legítimas as cobranças por revisão de gastos do governo,

Na entrevista, Durigan disse que o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência, tem registrado crescimento muito acentuado, algo que precisa ser controlado.

Segundo o secretário, de 25% a 30% das concessões do BPC são feitas pela via judicial. Ele afirmou que a Advocacia Geral da União está em contato com o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça para que fique definida uma padronização mínima para a liberação desses benefícios.

"Critérios como indicar qual a capacidade, a renda per capita, que são critérios definidos pela lei, e não ter simplesmente concessões abrangentes", disse.

(Reportagem de Fernando Cardoso e Bernardo Caram, reportagem adicional de Camila Moreira)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Boa tarde Agronegócio - Confira os principais destaques desta terça-feira (25)
Brasil e EUA farão reunião sobre tarifas na próxima segunda-feira, diz MDIC
Agenda Brasil: Estudo aponta fragilidades na regra fiscal e propõe medidas para melhorar gasto público
Bioinsumos são os grandes vencedores com aprovação do Profert
Demanda do produtor muda perfil genético dos híbridos de milho para silagem na pecuária
Taxas de mortalidade dos bezerros acima de 5% na pecuária de leite precisam ser investigadas