Petróleo cai com esperanças de avanço diplomático entre EUA e Irã e exportações da Arábia Saudita
Os preços do petróleo caíam nesta segunda-feira em direção ao "limite psicológico" de US$100 por barril, alcançando o nível mais baixo em 11 dias, à medida que os investidores esperavam avanços diplomáticos na guerra no Irã devido à reunião da ONU desta semana e aguardavam uma recuperação parcial nos embarques da Arábia Saudita.
Os futuros do petróleo Brent e do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA atingiram seus níveis mais baixos desde 10 de setembro no início desta segunda-feira.
O contrato do Brent para novembro era negociado a US$101,1 por barril às 9h15 (horário de Brasília), com queda de US$2,76, ou 2,66%. Já o contrato de outubro do WTI, com vencimento na terça-feira, recuava US$2,94, ou 2,93%, para US$97,36 por barril.
O Irã e os EUA trocaram novas ameaças no domingo, embora o presidente norte-americano Donald Trump tenha afirmado que estaria aberto a se reunir com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que deve estar em Nova York esta semana para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
O Irã transmitiu suas condições aos mediadores para retomar as negociações, informou a Al Jazeera, citando o chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, em entrevista concedida no sábado.
No entanto, os combates no Oriente Médio continuaram, com os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmando ter atacado Riade, bem como uma instalação da Saudi Aramco na cidade de Yanbu, no Mar Vermelho, enquanto pressionavam para isolar a costa do Mar Vermelho das demais áreas controladas pelas forças apoiadas pela Arábia Saudita.
A China pediu ao Irã que ajude a conter os houthis após um apelo da Arábia Saudita a Pequim na sequência dos ataques, segundo três fontes iranianas a par do assunto.
Os ataques dos houthis ao oleoduto Leste-Oeste da Aramco levaram a empresa a aumentar as exportações pelo Estreito de Ormuz neste mês e no próximo, após interromper alguns embarques via Yanbu.
“Os fluxos de petróleo do Oriente Médio permanecem surpreendentemente fortes, apesar da interrupção no oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita”, afirmaram analistas do JPMorgan em uma nota de 18 de setembro.
“A mudança mais notável veio da Arábia Saudita”, disseram os analistas, já que dados de satélite indicaram que o petróleo saudita que passou pelo Estreito de Ormuz atingiu uma média de 2,9 milhões de bpd nos últimos seis dias, ante apenas 700 mil bpd em agosto.
(Reportagem adicional de Mohi Narayan, em Nova Délhi, e Florence Tan, em Cingapura)