FPA pede aumento da mistura de biodiesel para reduzir dependência de diesel importado

Publicado em 12/03/2026 11:03
Carta enviada ao MME, à ANP e à Casa Civil defende adoção do B17 como estratégia para fortalecer a segurança energética, ampliar a produção de biocombustíveis e reduzir custos no campo.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) encaminhou, nesta quarta-feira (11), aos ministros de Minas e Energia e da Casa Civil, além da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), uma carta aberta elaborada por entidades representativas do agronegócio e da agroindústria solicitando a elevação do percentual obrigatório de biodiesel no diesel para 17% (B17).

O documento foi entregue por entidades do setor à bancada do agro para que a frente atuasse junto ao governo federal na defesa da medida. As organizações argumentam que o aumento da mistura pode reduzir a dependência brasileira da importação de diesel, fortalecer cadeias produtivas nacionais e ampliar o uso de combustíveis renováveis na matriz energética.

Segundo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o país precisa aproveitar seu potencial produtivo para ampliar a geração de energia a partir do próprio setor agropecuário.

“Hoje o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Em um cenário de instabilidade internacional, isso representa uma vulnerabilidade para a nossa economia. O agro tem capacidade de oferecer parte dessa solução, transformando biomassa em combustível e fortalecendo nossa segurança energética”, afirmou.

Lupion também destacou que o Brasil reúne condições técnicas e produtivas para ampliar o uso de biocombustíveis sem comprometer o abastecimento. “O Brasil já não é apenas uma potência produtora de alimentos. É também uma potência na produção de energia renovável. Ampliar o uso do biodiesel significa fortalecer a indústria nacional, reduzir a dependência externa e criar novas oportunidades para o setor produtivo”, disse.

Para a FPA, a elevação da mistura para B17 pode ampliar a oferta de combustível no mercado interno, reduzir pressões sobre o preço do diesel e estimular investimentos em cadeias produtivas ligadas à produção de matérias-primas utilizadas no biodiesel.

Guerra no Oriente Médio

A discussão ocorre em um momento de crescente tensão no mercado internacional de energia. A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado volatilidade nas cotações globais do petróleo e ampliado preocupações com o abastecimento de combustíveis e o impacto nos custos de produção.

Vice-presidente da FPA no Senado, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) destacou que o Brasil enfrenta forte dependência de insumos e combustíveis importados, o que torna o setor produtivo mais sensível às crises internacionais.

“Nós vivemos hoje problemas com o óleo diesel e com fertilizantes. Importamos, além do diesel, quase 90% dos fertilizantes. Isso aumenta o custo de produção e pressiona o produtor rural”, afirmou.

Ex-ministra da Agricultura, a senadora ressaltou que as tensões geopolíticas ampliam os riscos para o país. “A geopolítica e a geoeconomia estão na mesa todos os dias. Isso impacta diretamente o Brasil e o custo de produção no campo”, disse.

Para a FPA, ampliar o uso de biodiesel pode ajudar o país a reduzir essa vulnerabilidade externa, ao mesmo tempo em que fortalece a produção nacional de energia renovável e gera renda em diferentes regiões do Brasil.

“O país tem capacidade instalada, tecnologia e matéria-prima para avançar nessa agenda. O biodiesel é uma solução já consolidada e pode ajudar o Brasil a enfrentar desafios energéticos e econômicos com mais autonomia”, concluiu Lupion.

Por: Agência FPA
Fonte: Agência FPA

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