Café fecha 4ª feira em alta em NY e Londres; robusta tem máximas em uma semana

Publicado em 05/08/2026 16:02
Clima no BR e no Vietnã permanecem forte no radar dos traders

Os contratos futuros do café arábica fecharam o pregão desta quarta-feira (5) em alta na Bolsa de Nova Iorque, em um movimento de recuperação após as perdas das últimas sessões. Ainda muito volátil, o mercado voltou a subir diante aindas das preocupações com o clima para a conclusão da colheita da atual safra brasileira, enquanto os operadores seguem atentos ao ritmo da comercialização no país. 

Os ganhos dos principais vencimentos foram de 265 a 280 pontos, levando o setembro a 326,90 cents por libra-peso, enquanto o dezembro foi a 311,45 centavos de dólar/lb. O movimento foi favorecido pela cobertura de posições vendidas e por um ajuste técnico do mercado, que vinha pressionado pelo avanço da colheita brasileira nas últimas semanas.

Apesar do andamento recente dos trabalhos de campo, os traders seguem monitorando a disponibilidade de cafés arábica de melhor qualidade, uma vez que as chuvas que acometeram boa parte das principais regiões produtoras do país provocaram não só um atraso no campo, mas também perda de qualidade.

E como explicou o analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, o Brasil ainda está no inverno e os 20% de área que ainda precisam ser colhidos não estão imunes a intempéries ou sustos com condições climáticas adversas, que possam causar preocupações ainda maiores. 

"O fenômeno El Niño paira sob as nossas cabeças até janeiro, fevereiro de 2027, e cada região deve reagir de uma maneira", afirma Bonfá, o que também deixa o mercado ainda mais volátil e sem uma tendência mais clara e melhor definida. 

Além disso, os estoques certificados permanecem em níveis historicamente apertados, fator que continua limitando movimentos mais intensos de queda e mantendo os participantes atentos à evolução da oferta global.

E para os próximos dias, as previsões sinalizam condições de tempo mais seco nas principais áreas de produção no Brasil - Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Alta Mogiana e interior de São Paulo - o que ainda poderia, de alguma forma, pesar sobre os futuros do arábica, já que, se confirmando, favoreceria a colheita, a secagem e o transporte dos grãos.

EM LONDRES, MÁXIMAS EM UMA SEMANA PARA O ROBUSTA

Na Bolsa de Londres, os contratos futuros do café robusta também avançaram e fecharam em suas máximas de uma semana nos principais vencimentos. O mercado subiu não só acompanhando o desempenho do arábica e a busca por recomposição de posições, mas também pelas preocupações com o clima no Vietnã, maior produtor da variedade. 

As previsões climáticas apontam, segundo informa o portal internacional Barchart, a redução da probabilidade de chuvas no Planalto Central do Vietnã, a principal região produtora de café do país. A redução da probabilidade de chuvas no Planalto Central do Vietnã, a principal região produtora de café do país.

O suporte adicional vem da cautela dos investidores em relação ao abastecimento asiático e à demanda da indústria, que continua recorrendo ao robusta como alternativa para composição de blends.

Na outra ponta, as exportações aquecidas de robusta pelo Vietnã, colocando bastante café no mercado, acaba trazendo alguma pressão aos futuros ou, ao menos, promovendo uma limitação nos ganhos da variedade na bolsa inglesa. 

MERCADO NACIONAL

No mercado físico brasileiro, a tendência é de negociações pontuais. Produtores permanecem cautelosos nas vendas, aguardando melhores oportunidades de preço, enquanto compradores seguem abastecidos pela entrada da safra, o que reduz a urgência nas aquisições e mantém o ritmo dos negócios moderado.

 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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