Perspectivas para a comercialização da nova safra de café são boas, apesar de volatilidade que deve continuar
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O Brasil caminha para encerrar a colheita da nova temporada sob um cenário de intensa volatilidade dos mercados - principalmente os internacionais -, mas com perspectivas encorajadoras para a comercialização. Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, no Notícias Agrícolas, o diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, analisou os principais fatores que moldam os negócios para o setor cafeeiro, destacando que o comportamento dos preços surpreendeu positivamente a cadeia produtiva. Segundo o especialista, as perspectivas são bastante promissoras, apesar de muitos desafios que se acumulam para a cafeicultura não só nacional, mas global.
PREÇOS FIRMES E O FATOR QUALIDADE
No início do ciclo, a expectativa de uma safra expressiva — estimada acima de 70 milhões de sacas — levava o mercado a projetar cotações inferiores aos patamares de 2025, gerando cautela e retração por parte dos importadores. Contudo, o cenário desenhou-se de outra forma: os preços mantiveram-se firmes e acima do ano anterior.
Um dos pilares que sustentam essas cotações é a questão qualitativa. Embora as peneiras se mostrem bem definidas e variando bastante entre as regiões, a qualidade da bebida apresenta comprometimentos em parte da produção, reflexo direto de intempéries climáticas como a seca no período anterior à colheita e as chuvas durante o recolhimento dos grãos. Adicionalmente, os estoques certificados estão ajustados. A participação do café brasileiro certificado recuou de 57% para cerca de 43%, com volumes disponíveis bastante reduzidos, o que restringe as opções para especuladores e compradores internacionais.
IMPACTOS DA GEOPOLÍTICA TURBULENTA NA LOGÍSTICA GLOBAL
O escoamento da safra também esbarra em gargalos logísticos complexos no comércio exterior. Tensões geopolíticas internacionais — como o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e os reflexos no Estreito de Ormuz e no Canal de Suez — afetam rotas marítimas globais, elevando custos e forçando desvios logísticos de concorrentes como o Vietnã.
Apesar desse ambiente desafiador e repleto de incertezas macroeconômicas, o Brasil projeta um programa robusto de exportações para a nova temporada, estimado em cerca de 48 milhões de sacas, impulsionado pela necessidade de suprir a demanda global por novas origens.
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