Café arábica interrompe sequência de perdas nesta sexta-feira, mas encerra semana com queda de 6,59% em NY
Os preços futuros do café encerraram a sexta-feira (30) com movimentos distintos em Nova York e ganhos generalizados em Londres, no último pregão de outubro. O contrato dezembro/26 do arábica conseguiu interromper uma sequência de quatro sessões consecutivas de perdas, mas a recuperação foi insuficiente para reverter a forte desvalorização acumulada na semana, de 6,59%. Já o robusta apresentou valorização em todos os principais vencimentos negociados na bolsa londrina.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica encerrou o dia cotado a 287,20 cents por libra-peso, com valorização de 1,75 cent, equivalente a 0,61%. O março/27 apresentou alta discreta de 0,05 cent, terminando a 276,80 cents, enquanto o maio/27 recuou 0,25 cent, para 272,75 cents por libra-peso.
A sessão foi marcada por mudanças de direção e oscilações expressivas. Durante a abertura, o dezembro/26 chegou a trabalhar a 284,70 cents por libra-peso, com queda de 0,26%, ampliando momentaneamente a sequência negativa. Ao longo da manhã, entretanto, o contrato recuperou terreno e atingiu 291,50 cents, antes de devolver parte dos ganhos e encerrar o pregão com valorização moderada.
Apesar da reação desta sexta-feira, o balanço semanal permaneceu fortemente negativo. O dezembro/26 havia encerrado a última sexta-feira (23) a 307,45 cents por libra-peso e terminou esta sessão a 287,20 cents, acumulando perda de 20,25 cents, equivalente a 6,59%.
Considerando todo o mês de outubro, a variação foi menos intensa. O mesmo vencimento havia encerrado setembro a 290,70 cents por libra-peso, segundo levantamento da Safras & Mercado, o que representa uma desvalorização de aproximadamente 1,20% no balanço mensal.
Robusta confirma recuperação em Londres
Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o café robusta terminou a sexta-feira com ganhos em todos os vencimentos acompanhados, em movimento de recuperação após as baixas registradas nos pregões anteriores.
O contrato novembro/26 encerrou a sessão cotado a US$ 3.219 por tonelada, com alta de US$ 42, equivalente a 1,32%. O janeiro/27 avançou US$ 28, terminando a US$ 3.204 por tonelada, enquanto o março/27 registrou valorização de US$ 26, para US$ 3.193. O maio/27 ganhou US$ 25 e encerrou o dia a US$ 3.187 por tonelada.
A recuperação foi sustentada ao longo da sessão, embora os contratos tenham apresentado oscilações durante o dia. O janeiro/27, por exemplo, iniciou a manhã próximo de US$ 3.189 por tonelada e chegou a negociar a US$ 3.220, antes de encerrar a US$ 3.204.
Apesar das altas desta sexta-feira, o mercado do robusta continua acompanhando a perspectiva de maior disponibilidade internacional, especialmente com o avanço da colheita vietnamita e a movimentação dos estoques certificados em Londres.
Dólar, estoques e perspectivas de oferta marcaram outubro
O encerramento de outubro ocorre depois de um período de forte volatilidade para o café, influenciado pelas oscilações cambiais brasileiras, pelas perspectivas de produção nas principais origens e pelas condições de abastecimento internacional.
Segundo análise divulgada nesta sexta-feira pela Safras & Mercado, a valorização do dólar frente ao real ganhou relevância na formação dos preços ao longo do mês, especialmente nos últimos pregões. A moeda norte-americana mais valorizada amplia a competitividade das exportações brasileiras e pode estimular a comercialização do produto, mesmo diante de referências internacionais mais baixas.
No Brasil, o dólar era indicado a R$ 5,45 na tabela de fechamento do café do Notícias Agrícolas nesta sexta-feira. A valorização cambial oferece um fator de compensação na formação dos preços em reais, embora os resultados efetivos para os produtores também dependam dos diferenciais de qualidade, dos prêmios e das condições regionais de comercialização.
No campo dos fundamentos, a disponibilidade de café certificado em Nova York permanece como um elemento importante. Os estoques seguem em níveis reduzidos, mas o mercado acompanha o aumento dos volumes de café brasileiro encaminhados aos armazéns credenciados para avaliação, que poderão ampliar a oferta certificada caso sejam aprovados nos procedimentos de classificação.
A Safras & Mercado também destacou que a qualidade de parte da safra brasileira de arábica de 2026 foi prejudicada pelo excesso de umidade durante os trabalhos de colheita e secagem, fator que pode restringir a disponibilidade de determinados padrões de café no mercado internacional.
Por outro lado, as perspectivas para a oferta futura continuam influenciando as expectativas dos operadores. Em relatório divulgado em 19 de outubro, o Rabobank avaliou que a melhora das condições climáticas em países como Brasil, Vietnã e Indonésia poderá favorecer uma recomposição gradual dos estoques globais nos próximos ciclos, embora esse cenário ainda dependa da confirmação dos resultados produtivos.
Para os cafeicultores brasileiros, o encerramento de outubro deixa um cenário de atenção. A recuperação parcial registrada nesta sexta-feira não eliminou as perdas expressivas acumuladas pelo arábica nos últimos pregões, enquanto o comportamento do dólar e as diferenças entre as qualidades comercializadas continuam influenciando os preços domésticos.
A evolução das condições climáticas, das exportações brasileiras e dos estoques certificados será determinante para as expectativas de preços em novembro, depois de um mês marcado por movimentos distintos entre as bolsas internacionais e o mercado físico brasileiro.